Eu poderia falar sobre as eleições, comentar os discursos, repetir todos esses padrões e todas as histórias. Eu poderia falar sobre como meu voto não foi a favor de um candidato, mas contra as bandeiras religiosas e preconceituosas que foram levantadas para derrubar sua candidatura. Mas a grande questão nem é essa, é que eu vou sentir falta do Lula. Só de assistir os maçantes minutos de discursos pós-eleição de Dilma e Serra, já comecei a sentir.
Apesar de todos os contras que podem ser levantados, Lula era a figura pública a quem querÃamos bem. Ele, não por ser operário ou o que quer que seja, mas pela pessoa como se construiu, era um cara que fazia com que a maioria dos brasileiros se sentisse bem por tê-lo como presidente.
De resto, deixo o Guia falar por mim:
Havia um clima de enorme empolgação entre eles. Trabalhando em equipe, haviam atingido e ultrapassado os limites últimos das leis fÃsicas, reestruturado a configuração fundamental da matéria, forçado, torcido e partido as leis das possibilidades e impossibilidades, mas apesar disso o que mais os entusiasmava era a oportunidade de conhecer um homem com uma faixa alaranjada em volta do pescoço (o distintivo tradicional do presidente da Galáxia). Talvez até não fizesse muita diferença se eles soubessem exatamente quanto poder exercia o presidente da Galáxia: absolutamente nenhum. [...]
O presidente, em particular, é simplesmente uma figura pública: não detém nenhum poder. Ele é aparentemente escolhido pelo governo, mas as qualidades que ele deve exibir nada têm a ver com liderança. Ele deve é possuir um sutil talento para provocar indignação. Por esse motivo, o presidente é sempre uma figura polêmica, sempre uma personalidade irritante, porém fascinante ao mesmo tempo. Não cabe a ele exercer o poder, e sim desviar a atenção do poder. [...]
PouquÃssimas pessoas sabem que o presidente e o governo praticamente não têm nenhum poder, e, dessas pouquÃssimas pessoas, apenas seis sabem onde é, de fato, exercido o verdadeiro poder polÃtico. A maioria das outras está convencida de que, em última instância, o poder é exercido por um computador. Elas não poderiam estar mais erradas.
Douglas Adams, O Guia do Mochileiro das Galáxias
[editado] Sobre a onda xenófoba no twitter, eu gostaria de acrescentar: se você vivesse abaixo da linha da pobreza, eu queria ver se você estaria falando mal dos nordestinos e das escolhas deles. :) É claro que os ricos vão reclamar daqueles que preferem dar atenção aos pobres. É claro. É a criança mimada chorando porque a mãe deu o brinquedinho quebrado pro menino de rua. Como diz a canção: “O Brasil não conhece o Brasil. O Brasil nunca foi ao Brasil.”





























