Posts com a tag: resenhas

25
ago
2007

Matem o apanhador no campo de centeio!

O Humberto Gessinger disse uma vez que existem dois tipos de música que valem a pena existir: as músicas que quando tocam no rádio você vai, corre, e muda de canal ou as que você vai, corre, e aumenta o volume. Acho que isso vale para tudo, inclusive para livros.

Existem os livros que te surpreendem e os que te decepcionam. Existem aqueles que você corre para elogiar e os que você corre para xingar. Costumo só falar de bons livros, então, vou falar de um que me decepcionou e esperar que comecem a me atirar pedras.

Mundo real
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15
ago
2007

Harry Potter and the Deathly Hallows

Primeiro quero declarar que este texto está livre de spoilers e que posso apagar comentários que eu considerar “estraga-prazeres”.

Li “Harry Potter e as Relíquias da Morte” logo depois do lançamento. Essa foi uma decisão que eu tomei depois de ler o sexto livro: ia melhorar meu inglês só pra não ter que esperar a tradução do sétimo. O motivo, claro, é que a gente sempre acaba descobrindo as coisas antes do tempo. Eu sou daquele tipo de pessoa que gosta de surpresas, de quebrar a cara tentando descobrir o que vai acontecer e, por isso, fico muito decepcionada quando topo com alguma informação indesejada.

Tinha resolvido que, se não conseguisse ler em inglês, ia me trancar dentro do quarto, tampar os ouvidos – para o caso de algum carro de som passar anunciando o final – e me desligar do mundo até a Lya Wyler terminar seu trabalho. Ainda bem que não foi preciso. Até comecei lendo uma dessas traduções que o pessoal estava fazendo, mas, ao encontrar a versão em inglês, descobri que aquilo estava uma merda e fiquei mesmo na versão original.

Pois é, eu li, parei, refleti e fim. O problema é que não é só assim. É tão estranho pensar que acabou! Quem não gosta não entende como é isso. Ainda lembro da minha ansiedade com os primeiros livros, de não dormir até terminar de ler cada novo lançamento, dos choros desesperados quando a história foi ficando mais densa, da tarde sumindo enquanto eu estava lendo deitada num sofá em uma salinha que não existe mais.

Mundo real
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15
jul
2007

Harry Potter e a Ordem da Fênix

(contém spoleirs)
Enquanto todo mundo corre para ver as estréias logo quando elas surgem, eu fico na minha, esperando a poeira baixar. Apareço quando a oportunidade surge, e com Harry Potter ela apareceu bem rápido.

O que declarar? O filme é legal mas não superou o anterior. O Cálice de Fogo teve um equilíbrio quase ideal entre humor e tragédia, teve cenas em que todo mundo riu e eu ainda vi gente sair chorando do cinema.

No novo filme falta alguma coisa… Apesar de eu ter rido muito de quando Dumbledore fazia suas entradas triunfais e todo mundo gritava. Ou de quando alguém levava um “queima” e o pessoal fazia o “tssss”. Interação da platéia, nossa. Seria até muito mais legal se eles tivessem calado a boca logo em seguida pra eu poder ouvir o resto das coisas. É o eterno problema dos cinemas.

Mundo real
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30
jun
2007

Admirável Livro Velho

Existem vários livros que todos devem ler ao menos uma vez na vida. Admirável Mundo Novo é um deles. Um dos fatos mais surpreendentes no romance de Aldous Huxley é que, como acontece com alguns outros grandes clássicos, suas histórias e predições por vezes parecem pertencer a um futuro alcançável e próximo, ao mesmo tempo em que, a depender do olhar, podem representar uma metáfora do presente. Acredito que é aproximadamente isso o que vêm pensando também seus outros leitores ao longo das últimas décadas.

A história, publicada em 1931, é futurista (“mas não de Marinetti!”), classificada como distópica e representa uma reflexão crítica sobre o futuro da humanidade. Sob a máxima “Comunidade, Identidade, Estabilidade” encontramos uma sociedade onde o fordismo revigorou-se até um ponto extremo. Henry Ford (1863-1947) é considerado uma espécie de messias sendo reverenciado por toda a população civilizada. Com mais exatidão, Huxley acreditava que a sociedade chegaria a esse patamar no século VII “depois de Ford” – como conta o calendário do Novo Mundo.

Fazendo referência à Matrix podemos também dizer que “existem campos sem fim onde os humanos não nascem mais, são cultivados”. Os campos, no entanto, são os laboratórios do D.I.C. (Centro de Incubação e Condicionamento), onde humanos são criados em proveta e, muitas vezes, clonados em grande número. O Estado é responsável pela educação das crianças e a Família foi abolida. Assim como a religião, a monogamia, o pudor e a senilidade. Desde apenas fetos, até sua morte, todos são condicionados para agirem de acordo com sua localização em um funcional sistema de castas.

Revoltante? Não para os civilizados de Huxley. O ponto-chave dessa sociedade é que todos seus homens e mulheres são completamente felizes.

Mundo real
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