Posts com a tag: literatura

15
mai
2010

Os riscos da febre CFA

Que fique bem claro desde a primeira linha deste texto: não tenho absolutamente NADA contra o Caio Fernando Abreu. Se você é fã do autor e se sentir atingindo de alguma forma por este artigo, leia e releia cuidadosamente para entender direitinho o que eu quero dizer.

Morangos Mofados? Não! Idéias! Exercite a sua criatividade ao invés de deixá-la de molho usando citações!A cada dez tweets da minha timeline, ao menos um é um retweet de alguma frase de Caio Fernando Abreu. E o mesmo acontece no Fotolog: há sempre uma frase do autor em algum caption. No Tumblr, suas idéias são textos soltos ou legendas de fotos. Acho interessante que a juventude tenha encontrado alguém que representou bem os seus sentimentos, mas também acho isso perigoso, muito perigoso.

Primeiro, me pergunto de onde surgiu o fenômeno. Foi praticamente assim: em um dia eu encontrava textos aleatórios e frases construídas pelos próprios autores dos sites; no outro, todos os lugares tinham frases com as mesmas iniciais – CFA.

É quase um vírus, uma febre. E a verdade é que ele escreveu coisas maravilhosas. Mas é um saco, definitivamente UM SACO, entrar em todas as redes sociais das quais você participa e encontrar sempre o mesmo autor.

Se eu quisesse acompanhar citações do Caio Fernando Abreu, eu seguiria os perfis que são dedicados a isso, leria seus livros ou procuraria por suas obras no Google. Simples. Aliás, eu seguia o @caiofabreu até poucas semanas atrás; antes de perceber que eu já seguia umas dez pessoas que tornavam isso completamente desnecessário. Elas já trazem tudo até mim, sem que eu peça, ou que me interesse.

Mundo real
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18
fev
2010

Facilite sua vida de leitor

Enquanto a maioria dos seus amigos corria de tudo que fosse preenchido por letrinhas, você passava as férias com a cabeça enfurnada dentro dos livros. E talvez você até tenha descoberto maravilhas nos volumes empoeirados que seus pais guardam em casa. É possível também que já tenha suspirado ouvindo algum deles comentarem sobre um tal de Clube do Livro, onde compravam edições com descontos.

Enquanto todo mundo prega que a TV e a internet deixaram as pessoas “mais burras e preguiçosas”, dá para perceber que não é bem assim conhecendo as redes sociais e as ferramentas que se dedicam somente aos bons e velhos companheiros livros. :)

Hoje deixo a dica de cinco sites para quem gosta realmente de ler:

# Skoob

Skoob é a principal rede social brasileira de leitores.

Entre suas funções estão: compartilhar os livros que já leu, que está lendo, que pretende ler, que deseja; adicionar amigos, seguir perfis, deixar recados; escrever resenhas, dar notas, fazer marcações e anotações; expor os livros que quer trocar, descobrir gente querendo trocar outros livros; ver títulos “similares” ao estilo do que você está vendo e… uff… Mais um monte de coisa!

Senti falta de algumas coisas simples, como um FAQ. E, principalmente, de um plugin para WordPress, porque faço um uso parecido aqui usando o Now-Reading. Seria legal poder integrar o serviço e não ter que duplicar o trabalho. :)

Já tinha cadastro lá há tempinho, mas só ontem resolvi usar pra valer (vou ficar doida com tanta rede social!). Tô tentando lembrar os livros que já li para colocar no meu perfil.

Pela internet
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16
jan
2010

Pense no Haiti, Reze pelo Haiti

Pense no Haiti, Reze pelo Haiti - Caetano Veloso

- O que me parece – disse ela – é que, basicamente, seu trabalho sobre metassistemas permite calcular o peso de toda a areia de uma praia, pesando um grão de cada vez.
- Basicamente, é isso mesmo.

Mundo real
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25
ago
2007

Matem o apanhador no campo de centeio!

O Humberto Gessinger disse uma vez que existem dois tipos de música que valem a pena existir: as músicas que quando tocam no rádio você vai, corre, e muda de canal ou as que você vai, corre, e aumenta o volume. Acho que isso vale para tudo, inclusive para livros.

Existem os livros que te surpreendem e os que te decepcionam. Existem aqueles que você corre para elogiar e os que você corre para xingar. Costumo só falar de bons livros, então, vou falar de um que me decepcionou e esperar que comecem a me atirar pedras.

Mundo real
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15
ago
2007

Harry Potter and the Deathly Hallows

Primeiro quero declarar que este texto está livre de spoilers e que posso apagar comentários que eu considerar “estraga-prazeres”.

Li “Harry Potter e as Relíquias da Morte” logo depois do lançamento. Essa foi uma decisão que eu tomei depois de ler o sexto livro: ia melhorar meu inglês só pra não ter que esperar a tradução do sétimo. O motivo, claro, é que a gente sempre acaba descobrindo as coisas antes do tempo. Eu sou daquele tipo de pessoa que gosta de surpresas, de quebrar a cara tentando descobrir o que vai acontecer e, por isso, fico muito decepcionada quando topo com alguma informação indesejada.

Tinha resolvido que, se não conseguisse ler em inglês, ia me trancar dentro do quarto, tampar os ouvidos – para o caso de algum carro de som passar anunciando o final – e me desligar do mundo até a Lya Wyler terminar seu trabalho. Ainda bem que não foi preciso. Até comecei lendo uma dessas traduções que o pessoal estava fazendo, mas, ao encontrar a versão em inglês, descobri que aquilo estava uma merda e fiquei mesmo na versão original.

Pois é, eu li, parei, refleti e fim. O problema é que não é só assim. É tão estranho pensar que acabou! Quem não gosta não entende como é isso. Ainda lembro da minha ansiedade com os primeiros livros, de não dormir até terminar de ler cada novo lançamento, dos choros desesperados quando a história foi ficando mais densa, da tarde sumindo enquanto eu estava lendo deitada num sofá em uma salinha que não existe mais.

Mundo real
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30
jun
2007

Admirável Livro Velho

Existem vários livros que todos devem ler ao menos uma vez na vida. Admirável Mundo Novo é um deles. Um dos fatos mais surpreendentes no romance de Aldous Huxley é que, como acontece com alguns outros grandes clássicos, suas histórias e predições por vezes parecem pertencer a um futuro alcançável e próximo, ao mesmo tempo em que, a depender do olhar, podem representar uma metáfora do presente. Acredito que é aproximadamente isso o que vêm pensando também seus outros leitores ao longo das últimas décadas.

A história, publicada em 1931, é futurista (“mas não de Marinetti!”), classificada como distópica e representa uma reflexão crítica sobre o futuro da humanidade. Sob a máxima “Comunidade, Identidade, Estabilidade” encontramos uma sociedade onde o fordismo revigorou-se até um ponto extremo. Henry Ford (1863-1947) é considerado uma espécie de messias sendo reverenciado por toda a população civilizada. Com mais exatidão, Huxley acreditava que a sociedade chegaria a esse patamar no século VII “depois de Ford” – como conta o calendário do Novo Mundo.

Fazendo referência à Matrix podemos também dizer que “existem campos sem fim onde os humanos não nascem mais, são cultivados”. Os campos, no entanto, são os laboratórios do D.I.C. (Centro de Incubação e Condicionamento), onde humanos são criados em proveta e, muitas vezes, clonados em grande número. O Estado é responsável pela educação das crianças e a Família foi abolida. Assim como a religião, a monogamia, o pudor e a senilidade. Desde apenas fetos, até sua morte, todos são condicionados para agirem de acordo com sua localização em um funcional sistema de castas.

Revoltante? Não para os civilizados de Huxley. O ponto-chave dessa sociedade é que todos seus homens e mulheres são completamente felizes.

Mundo real
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