Posts com a tag: jornalismo

21
out
2008

Nós a matamos

Acho vergonhosa a participação da mídia no Caso Eloá. Para mim, toda essa história lembra por demais – e não me importo que soe clichê – o filme O quarto poder (Mad City, 1997, Costa Gravas). Tanto na vida real quanto na ficção, o desfecho trágico do seqüestro ocorre, principalmente, por causa da interferência dos jornalistas e dos envolvidos externamente no caso. A presença de repórteres dialogando com o assassino em potencial, a cobertura escandalizada, o interesse popular sendo aguçado –  são todos elementos passíveis de serem relacionados com a história do filme.

O mais interessante, no entanto, é que aqueles que são em parte causadores de tal desfecho procuram culpados como quem procura ouro: deslumbrados e pretensiosos, muitos jornalistas já culpam a ação da PM sem nem ao mesmo enxergarem as imposições que causaram as suas próprias ações (ou talvez estejam enxergando muito bem e notando a importância de tentar cobrir seu próprio erro usando o possível erro dos outros). Afinal de contas, não é muito mais interessante culpar a polícia e abrir leque para mais uma série de discussões do que culpar de uma vez por todas o “apaixonado” seqüestrador que parecia não ter noção real de seus atos? Não é mais interessante criar suspense em torno dessas perguntas que só serão esclarecidas posteriormente, com as declarações de Nayara?

É impossível não perceber que a necessidade de ampliar o fato, de conduzí-lo para a grande matéria, interfere em toda a situação, inclusive no psicológico do seqüestrador. Assim como Sam Baily, Lindemberg pode ter perdido o controle de si mesmo ao perceber o contexto grandioso que tomava tudo em que havia se envolvido. A constante cobertura da mídia era acompanhada dentro do apartamento em Santo André e, pode tanto ter problematizado ainda mais uma situação que já seria grave, quanto ter criado a maior parte da gravidade dela. Além disso, a presença dos jornalistas e a possível repercussão de qualquer decisão, pode ter também influenciado a ação dos policiais. Todos sairão dessa situação com muitas perdas e bastante envolvidos judicialmente, exceto, é claro, esses “profissionais” que, ao meu ver, participaram ativamente, e, diga-se de passagem, muito irresponsavelmente, no caso.

Mundo real
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04
set
2008

Alguém tem que agir

Esse alguém não vou ser eu. Taí o problema.

Estudo numa universidade pública, óbvio que você deve saber que, apesar dos benefícios, isso é sinônimo de problemas, reclamações e de muitos alunos querendo fazer revolução, principalmente em alguns cursos como o meu. Desde o meu primeiro dia em Comunicação ouvi um monte de gente fazendo discursos sobre a necessidade de mudança, de envolvimento no movimento estudantil e de ação. Desde o meu primeiro dia em Comunicação eu saquei que aquilo não era pra mim.

Lembro de comentar, desde aquela primeira semana, que eu tinha entrado, sem querer, em um curso de Política com ênfase em Jornalismo. Mais tarde descobri que eu tinha entrado em um pseudo-curso de qualquer-coisa-só-pra-ganhar-diploma e que ninguém estava mesmo preocupado como tinha parecido. O primeiro semestre até serviu para algo, mas juro que não aprendi nada no semestre passado. Claro, a culpa foi minha.

Mundo real
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