Eu tenho uma mania danada de achar que as pessoas parecem comigo. É como um estalo, sei lá. Eu estou vendo alguma foto ou filme e, de repente, vem na cabeça: “Ela parece comigo!”. Aí, quando eu falo, as pessoas fazem aquela cara de tédio, como quem quer dizer: “Nada a ver, como essa criatura pode ser assim? Será que o cérebro dela funciona de um jeito tão diferente assim do meu?“. Eu acho que o problema não é comigo, sério. Achei ainda mais depois do dia em que me disseram que eu parecia a Devon Aoki, mas a criatura não era muito certa mesmo.
Pois eis que numa bela tarde, eu estava assistindo Escola do Rock pela trigésima quinta vez e veio aquela coisa do fundo da alma, uma vontade subiu de dentro do meu estômago, forte, ameaçadora. Não era vômito, era só O estalo. Olhei para um lado, para o outro e não vi ninguém. Eu levantei repentinamente e gritei para mim mesma, enquanto apontava para tv: “AHÁ! Ela parece comigo!” (teatral, né? :P). Não tinha ninguém para fazer cara de tédio como quem quer dizer aquela coisa grande do primeiro parágrafo, então só voltei a assistir o filme.
Muitos minutos depois, meu irmão já está por perto e meu pai chega, senta e começa a ver o filme. Do nada, ele tem o estalo e aponta para a tv: “ESSA MENINA É A CARA DE EMILÃINE! hahahaha”, e começa a rir, “Olha lá, é igualzinha! Só falta o cabelo rosa! hahahahaha”.
Eu sabia que eu não podia estar sempre errada – ou vai ver eu herdei o cérebro do meu pai.

O mais engraçado quando eu escrevo é que muitas vezes depois de pronto, quando leio o que escrevi, parece que não fui eu que fiz aquilo. Principalmente textos que fiz já há algum tempo. Olho para eles e digo “Porra, não acredito que fui eu quem disse isso!”. Não dá pra saber de onde surgiram, nem se estiveram durante todo o tempo ali mesmo dentro da minha cabeça. Até penso que alguns professores meus devem ter achado que eu copiei uns desavisados por aí. Ainda bem que existem as provas pra provar que não, hein.
























