
- Desculpe quebrar o silêncio, mas é bom que seja agora.
- Assim, do nada?
- Alteza, ninguém precisa realmente do fato se existe a repercussão.
- Vamos naquela de uma mentira contada mil vezes?
- Ou bem mais.
- Mais?
- Vamos pros livros de história! Pras páginas da internet! Conseguiremos uns quadros, umas pinturas, e logo não existirá ninguém que não saiba.
- Música também. Quero música.
- Certo, anotarei, mas pode fazer logo? Ainda tenho a Proclamação da República pra dirigir.
- E como faço?
- Grita logo e pronto.
- Não precisamos de um pouco mais de ambientação?
- Vossa alteza quer o quê? Holofotes e transmissão ao vivo?
- YouTube já bem basta.
- Pois bem, Alteza, agora é hora. A câmera já está ligada.
- Dá pra ajeitar meu cabelo no Photoshop?
- O que Vossa Alteza quiser…
- Sabe, eu estava pensando. A gente precisa de mais efeito na frase.
- ?
- As pessoas gostam de violência e sexo. Se só declarar assim do nada não vai vender.
- O que sugere?
- Impacto, ameaça e sensualidade.
- Mas tem que passar pela censura.
- Só morte basta então.
- Certo. Agora.
- Já?
- Antes que o telefone aponte novamente o Deodoro na linha…
- É, ninguém merece aquele barbudo.
- Vamos? 3… 2… 1…
- INDEPENDÊNCIA OU MORTE!
E foram milhares os corpos no chão.
























