Posts com a tag: crônicas e contos

13
dez
2011

Meus três motivos para não ser uma blogueira assim

É vergonhoso admitir, mas morro de preguiça de blogs com muito texto (e eu sei que você também). Esse era o primeiro motivo para deixar de escrever mais, ou sempre foi o que eu pensei… Até que Bárbaras, Deborahs, Julianas, Natálias, SâmiasLayses fizeram com que eu percebesse que não era nada disso. Tenho preguiça é de gente que escreve coisa que não me interessa.

De tanto topar com os blogs errados, acabei criando o gesto automático de descer a barra de rolagem, dar uma olhada nas imagens e fechar a aba enquanto aquele bolo de letrinhas fica turvo. Só de vez em quando, por acaso, por indicação ou por um pouquinho a mais de coragem descobri pessoas como essas que eu citei, que fizeram com que eu quisesse escrever também.

Depois veio o segundo motivo. Eu achava que podia ir pra frente. Sabe como é, eu podia ter um blog de moda. Blogs de moda fazem sucesso. Ou podia me aprofundar mais nessa área de tutoriais e freebies. Os paraquedistas do Google adoram. Mas e a preguiça retada que sempre batia depois de duas semanas de entusiasmo? Não é melhor nadar logo com a minha própria maré e fazer o que eu sei fazer: postar, postar, postar e postar sem precisar de propósito nenhum? Será que pode existir a linha editorial “escrever pra gente que gosta do mesmo que eu”?

Aí foi a vez do terceiro motivo. Eu não sou cult o suficiente para ter referências legais e nem vivida o bastante para ter realmente sobre o que escrever. Até que o Jack White voltou diretamente da minha adolescência para ficar cantarolando na minha cabeça: “Every single one’s got a story to tell” e eu devo ter bolado uns 50 textos mentais em 50 minutos de trajeto do ônibus. Pena que eu não lembro mais de nenhum deles.

Cotidianês
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29
set
2011

Agora acabou

Mas o que importa é que a minha greve acabou. Livre, leve e aprovada com nota máxima, o que mais eu podia pedir? :) Claro que antes de deixar vocês livres desse assunto, eu tinha que fazer meus comentários finais aqui e deixar um conselho: nunca, jamais, ria ou ache que é besteira quando alguém estiver nesse desespero por causa do TCC. (Sim, eu já fiz isso. mwuahea) Papai do Céu castiga e o monstro maligno vai te perseguir também.

Apesar de só falar disso nos últimos meses, eu juro que nunca me desesperei – exceto na última semana do prazo e no dia da defesa, em que eu quase surtei, mas aí tava liberado mwaheu. Eu sempre soube que ia conseguir fazer tudo, mas a questão nunca foi essa. Enquanto você não vê aquele produto trabalhoso saindo das suas mãos e indo pras mãos da banca, o TCC é um fantasma que fica te assombrando o tempo todo. Você está assistindo TV e ele grita: “Buh! Você devia estar estudando!”. Você está se divertindo com os amigos e ele grita: “Buh! Você devia estar escrevendo!”. E assim vai. Por meses você fica com esses gritinhos infelizes na sua mente, não importa se você é do tipo que seguiu o cronograma ou do tipo que faz o TCC nos últimos quinze dias.

Daí que no fim da saga tem gente que expulsa o fantasminha aos chutes e tem gente que fica segurando nas pontinhas dos dedos com pena de deixar o amigo-monstro ir embora. Às vezes a gente se apega, juro, se apega mesmo. Mas agora acabou. (Ou seja, é hora de começar a surtar com a formatura.)

Cotidianês
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12
jul
2010

If you can dream it, you can do it.

A vida é do tamanho que você crê que ela pode ser. E essa nem é a sua bênção maior…. Toda vez que você fecha os olhos e imagina, suas possibilidades se expandem. É palpável, é real: o mundo trabalha todos os dias para que todas as coisas sejam possíveis para você.

É triste que, com poucos intervalos, você e suas desesperanças trabalhem pela força contrária. Mais uma pitada de fé e certeza e todas as pessoas seriam ao menos um nível mais felizes – se é que a felicidade pode ser dividida em níveis.

Cada sentimento negativo, cada suspiro de descrença faz com que os planos que existem para ti tenham que dar um passo para trás. É por isso que a partir de amanhã você tem uma única meta: livrar-se de tudo aquilo que te faz pensar mal.

Fantástico mundo da Emi
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03
mai
2010

A história do camundongo

O camundongo enlouquecido não parava de correr de um lado para o outro. Enfurnava-se em todos os buracos possíveis e saía logo depois, farejando um novo destino.

Rebecca achou engraçado e continuou observando o movimento por um longo tempo. Algumas vezes precisou correr para não perdê-lo de vista, mas, em geral, ele continuava a observar todos os detalhes que ela nem ao menos tinha percebido que existiam no local.

A curiosidade aguçou-se depois de um bom tempo e ela começou a pensar se seria inoportuno demais interrompê-lo para um pequeno esclarecimento. Rebecca não precisou pensar muito porque pouco tempo depois o grande camundongo estava vindo em sua direção.

Se não tivesse tido tempo antes para observar o buraco logo a sua frente, teria sentido medo. O camundongo estava disparado, à toda velocidade. Entrou no buraco e já sairia. Rebecca teve apenas alguns segundos para pensar no que dizer, e não encontrou algo além do normal:

- Olá.

Foi o bastante para que o camundongo estancasse.

- Olá, posso ajudá-la?
- Eu só estava me perguntando o que o senhor estaria fazendo…
- Estou tentando encontrar o meu lugar no mundo. – e já ia pôr-se a correr novamente.
- Se me perdoa a sinceridade, confesso que essa resposta é mesmo um tanto profunda, mas nada esclarecedora…
- Ora, ora… Qual seu nome, mocinha?
- Rebecca.
- Nada profundo. E seria esclarecedor?

Fantástico mundo da Emi
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13
mar
2010

Um nascimento

Digo com sinceridade que as coisas na vida deveriam seguir o fluxo que a natureza nos ensina. Os julgamentos e a nossa forma de ver a vida deveriam sempre ser como um nascimento – o nascimento de novas idéias e novas convicções.

O processo que tanto presenciamos e tanto esquecemos é um milagre da vida que se ensina a todos aqueles que procuram entender. A prática é mais complicada, requer sabedoria e paciência que já não condizem mais com nossa forma de brincar com os dias.

Primeiro, é tudo vibração. É só o seu corpo respondendo a estímulos internos incompreensíveis. Até que vem o movimento. Sentir o balanço das coisas, o compasso, o ir e vir. E, depois, os sons. É preciso ouvir, sem entender. Só sentir as ondas, o modo como as coisas se expressam. O balbucio próprio de tudo. Os sons que compõem todas as cenas.

Até que você sai da escuridão. Começa a enxergar. E é hora de ver… as cores, as formas. Tudo é um complexo jogo de luzes, uma brincadeira entre os olhos e o cérebro de captar e não captar. E já é possível tocar. Entender o que corresponde ao que se vê e o que vai além ou fica aquém.

Só então é possível dar sentido. Só a partir daí deveríamos atribuir uma lógica e relacionar o que nos dizem com tudo o que vimos e sentimos. Nenhum julgamento pode começar antes do parir de um entender.

Fantástico mundo da Emi
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26
jan
2010

Outra verdade do mundo

- Eu tenho o mundo e você tem alguém.
- O que vale mais?
- Por vezes ter a razão machuca mais do que a tentativa. – olhou para o céu.
- Não me respondeste, senhor. O que vale mais? O mundo ou alguém?
- Não entendeste, caro pássaro. Dissesse eu que o mundo ou quisera eu que alguém e me condenaria a ter a razão em toda minha eternidade.
- E o que preferes ter?
- Do que me importa preferir, se no final, não possuo eu nada? Nem o mundo, nem alguém. Mal posso acreditar que tenho a mim mesmo!
- Contradizes-se demais. Segundos atrás afirmara ter o mundo e agora me diz estar largado?
- Achas que o mundo é algo? O nada é feito do infinito daquilo que tentou existir e não conseguiu. Cá estamos nós, tentando existir também. Confesso-te, no entanto, – e abaixou a voz – que duvido que estejamos conseguindo.

Fantástico mundo da Emi
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18
jan
2010

Agora era brisa

Houve um grande distúrbio, uma explosão incomum. Tudo o que ela sabia sobre todas as coisas tinha sido reduzido a cacos incoláveis. Parecia não haver recuperação ou salvação para as marcas da experiência pela qual passara…

Até que houve luz.

Luz fina e perturbadora. Decerto quase irreal. Depois de algum tempo, respirou aliviada, mas não precisava enganar ninguém. Não havia esquecido. Esquecer era desaprender; ela apenas estava transformando aquilo em lição.

Foi por conseguir manter a sanidade que ela passou a ter fé. E talvez isso já fosse motivo suficiente para tudo, mas havia algo mais. Aos poucos, tudo o que era uma ferida tornou-se um presságio: o mundo lhe daria algo muito maior.

Fantástico mundo da Emi
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28
dez
2009

A curta história da menina que não sabia nadar

Logo pequena compreendeu as verdades que todos procuravam entender. Sem sentir a necessidade de explicar nada a ninguém, aborreceu-se sozinha com as respostas decepcionantes e deslumbrou-se sorrindo das que lhe fizeram exultar.

Na rebeldia da sua prematura adolescência condenou todo o mundo e negou as verdades que já havia encontrado. Fez julgamentos, contratou juízes e conquistou alguns dissabores para a vida inteira.

Mais tarde, fazendo as pazes com o destino, a vida lhe deu de volta as compreensões que já possuíra. Apreciava as coisas que lhe eram apreciáveis – e não fazia questão de agradar o que parecia descartável.

A forma como vivia a vida – com o desleixo próprio de quem sabe que o futuro lhe guarda coisas grandiosas – irritava algumas pessoas.

Quando alguma nova interrogação lhe aparecia, era comum entrar em quarentena, declarar suas próprias férias e adiar todos os compromissos que os outros viam como absurdamente inadiáveis. Nesse meio-tempo, mergulhava em reflexão profunda até encontrar a nova peça que percebera faltar em seu eterno quebra-cabeça.

Tendenciosa como um mergulho, ela costumava ir fundo em todas as suas crenças. E aí não havia onda que a pudesse carregar. Mas era burramente ética e comicamente correta. Só sobrevivia entre os espertos porque não tinha pressa.

Ela era pretensiosa e odiável. E não sabia nadar.

Fantástico mundo da Emi
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24
dez
2009

Um (longo) conto de Natal

25 de dezembro pode ter todos os significados do mundo, mas para as crianças tudo isso se resume à madrugada mágica onde Papai Noel deixa os presentes da forma mais sorrateira possível. Para Elise, os presentes sempre apareciam no sapato ao lado da cama. É óbvio que ela nunca soube explicar como o bom velhinho entrava em sua casa, mas quem queria saber?

Apesar de lembrar-se apenas de um carro, uma batida e uma explosão, naquele Natal não foi diferente. A pequena Elise acordou perdida no tempo e, no momento exato em que se lembrou que dia era, pulou da cama para achar seu presente. O embrulho colorido estava em cima do sapato que usara na noite anterior. Sem dar-se ao trabalho de abrir, saiu rasgando o papel e encontrou logo a caixinha pequena.

O velhinho acertara novamente. Era o relógio que queria! Teve apenas tempo o suficiente para colocar o relógio no pulso. Saiu gritando pela casa para mostrar o presente aos pais.

Na nossa história não importa muito aquilo que aconteceu entre o tempo de abrir o presente e o de finalmente parar para admirá-lo. Tudo que você precisa saber é que, quando Elise finalmente se aquietou e parou sozinha no seu quarto para olhar as horas, deu-se conta de que o relógio andava ao contrário. E ela sabia o que isso significava.

Fantástico mundo da Emi
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04
nov
2009

Jogo de cartas

Dorothy

Sapatos gastos, meias rasgadas. Um dia ela me disse qualquer coisa sobre um sonho dorothiano. Confesso que não sabia do que falava, não parecia ser o tipo de pessoa a ser compreendida.

Ela parecia travada da cabeça aos pés. Carregava consigo qualquer grande segredo – e parecia discutir o tempo todo com suas próprias certezas.

Jogava uma espécie de jogo de cartas muito exato, onde perdia ou perdia. Não fiz questão de questionar em nenhum momento qual a moral daquilo tudo, parecia haver um único motor na história: escolher a carta com a qual perdia menos.

Devo assumir que era um destino triste, e talvez por isso ela jogava tão vagarosamente… Havia mais de cinquenta por centro de chance de perder tudo. E ela, má jogadora, tendia sempre à carta errada.

Geralmente jogava sozinha. Parecia compreender a injustiça que seria convidar alguém para aquilo. Mas o jogo tinha coadjuvantes; todos que apareciam para sugerir uma carta ou outra, ou que se dispunham a dividir o momento exato da jogada com ela.

Num dos meus acessos de curiosidade, resolvi dar a entender que não compreendia o absurdo porquê de se sujeitar a isso sempre:

- É tudo um treino – ela disse, como se parecesse óbvio – para aprender a perder, e aprender a ficar mais forte. Será que não percebe que, se eu me render pra mim mesma, nunca poderei ganhar de alguém? Pouco importa o resultado, a questão é aprender a jogar.

Não, eu não disse mais nenhuma palavra. Essa rodada foi dela.

Fantástico mundo da Emi
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