Posts com a tag: cotidiano

25
fev
2011

Bem assim

Vinha andando, distraído... Quando, de repente... Era o mundo.

Tirinhas
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27
mar
2010

Preguiça

Preguiça é uma das palavras que eu mais detesto. Não por ela mesmo, mas pela tendência que as pessoas tem à usá-la para explicar toda falta dos outros. Preguiça, pra mim, tem mais a ver com ter força, ter condição – física e psíquica -, ter disposição e, ainda assim, não fazer.

Preguiça carrega um julgamento negativo, como se a pessoa não fizesse simplesmente por não querer. O que nem todo mundo entende é que às vezes o não querer é mais complexo… Às vezes você não tem força alguma, e a falta dela é mais forte que você. Mas as pessoas continuam pressionando, continuam forçando cada vez mais, continuam não dando o tempo que você precisa para respirar. E você beira a explosão.

Eu queria, sinceramente, que as pessoas entendessem que cada um tem seu próprio ritmo.
E queria que alguém respeitasse o meu – até porque, no dia que eu explodir, vai voar caco pra cima de todo mundo.

Cotidianês
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09
fev
2010

Em casa de novo

Voltar de viagem é engraçado. Não importa se você fica fora só por dias ou uma semana, as coisas sempre parecem estar fora do lugar. Sempre há uma pintura nova em alguma casa no caminho, sempre há alguém com novo corte de cabelo, sempre há um punhado de novidades bobas acumuladas e a casa da gente sempre tem um cheiro de casa, que não parecia ter antes.

E, claro, você sempre se sente novo de novo.

Não importa se você estava no paraíso ou em um fim de mundo qualquer, sempre vai ter algum motivo para querer voltar para casa… E quando voltar vai querer ter ficado um pouco mais.

De qualquer jeito, nenhuma casa cheira tão bem quanto a nossa. Nenhuma cama é tão gostosa quanto aquela em que a gente dorme todo dia. Nenhuma água é mais gostosa do que aquela que sai da torneira da nossa cidade. E nenhuma companhia faz tão bem quanto aquelas que nem sempre a gente pode carregar conosco.

Não importa para onde você foi e nem para onde você vai, é provável que nenhuma ficção tenha dito algo tão sábio e tão verdadeiro quanto a obra do Baum: Não há lugar como nosso lar.

Cotidianês
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24
out
2009

Pra frente

aniversario

Há um desespero descomunal que beira a transição; qualquer que seja. Um aniversário, um parto, uma morte – ou a entrada na faculdade, o fim do ensino médio… A loucura ronda a mudança.

Não é pelo início. O começo tem sabor doce, geralmente como o aroma de chiclete das roupas de bebê. Mas o fim, ainda que do seu inferno astral, carrega um peso incomparável.

Incomparável também é a sensação de borboletas no estômago com o peso das lágrimas que comumente caem com qualquer final. Ninguém parece acostumar-se ao fato de que as coisas que acabam trazem coisas que começam, em qualquer que seja a situação.

Os fins das novelas, por exemplo, sempre estão acompanhadas de algum casamento. Antes de ser um clichê, é um tapa na cara de todos – e ninguém sente. É a TV, sem nem querer, simbolizando um novo começo depois do fim. É a continuação. A gente não precisa ver o que aconteceu com o mocinho para sentir-se feliz pelo resto da vida que ele terá; a gente não precisaria ver nada do que se foi para sentir-se feliz pelo que veio depois. Quer seja a morte, quer seja a chegada dos vintes e poucos anos.

O amanhã é a única promessa que a gente tem. Foi meu pai que me disse um dia desses: nada que vai vir é longe. Longe são as coisas que passaram e que nunca voltaremos a viver. Tudo que está no futuro é muito perto.

Sabe o que isso significa? Que a morte está aqui na frente. Só nos resta saber viver.

Fantástico mundo da Emi
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20
jun
2008

Isso me dá tique tique nervoso.

Ter que (tentar) acordar numa gostosa manhã gelada de 12ºC às seis da manhã; sair de casa e voltar por ter esquecido alguma coisa; ir para o ponto e sempre perder o ônibus por questões de segundos; esperar minutos pelo próximo ônibus brigando com o vento fustigante que assola meu bairro; enfrentar o empurra-amassa para subir no coletivo; enfrentar, por mais de 50 minutos, o combo-empurra-amasssa dentro do coletivo; chegar na universidade sempre atrasada; enfrentar o olhar de reprovação de alguns professores – que provavelmente não tiveram que enfrentar quase nenhuma das etapas anteriores, principalmente o combo-empurra-amassa; ter que aguentar aulas chatas sobre assuntos desinteressantes; suportar todos os professores mandando fazer pseudo-seminários sobre todas as bobagens possíveis que aparecem na frente deles – queridos professores, se eu quisesse aprender a dar aula estaria fazendo uma licenciatura; passar raiva com outras pessoas; criar antipatia pelo curso que faço ao ouvir merdas cotidianas; sair da universidade às 12h40, com o estômago reclamando; ser, às vezes, liberada às 12h e ter que enfrentar o super-combo-empurra-amassa para entrar no ônibus com os desesperados alunos da Agrotécnica que teimam em correr como loucos quando chega o D-30; enfrentar, por mais de 50 minutos, a gritaria dentro do ônibus.

Cotidianês
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20
jun
2007

Vivo pouco demais?

Existem sensações que vão e voltam como bumerangues. Uma dessas sensações é a de não estar vivendo a vida da maneira correta.

Podem argumentar dizendo que não há uma maneira correta ou que cada pessoa deve encontrar a maneira que satisfaz suas próprias vontades. No entanto, volta-e-meia penso se não deveríamos nos arriscar mais, fazer mais coisas, sair da mesmice constante na qual vivemos, porque sabemos, claro, que cedo ou tarde essa mesmice vai sair de nossas vidas levando a própria vida junto… E vai ser tarde demais para qualquer arrependimento.

Horas em que um novo sono antecede a própria lembrança de ter acabado de acordar, dias quentes em que você lembra do convite que recusou, tardes vazias em que os filmes são suas únicas companhias. Esses são momentos comuns na vida, horas tão comuns que se tornam formas dispendiosas de sobrevivência.

Será que sou só eu que olho ao meu redor e penso em tantas coisas que poderia fazer? Não são apenas “coisas”, algumas são coisas que, de certa maneira, não me chamavam a atenção ou nunca me agradaram. Mas são coisas que dariam histórias, lembranças, uma grande variedade de estoque para minha mente.

Cotidianês
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