Não vou desligar meu celular: eu vivo o que eu quiser

Ana

Selfie, after sex, o que quer que seja… Se alguém quer publicar 500 fotos, por que te incomoda tanto? Não existem momentos que devem ser guardados só para si. Não existe uma regra impressa no manual do universo que diz que os momentos particulares são íntimos. Essas são convenções sociais, decisões pessoais. Se o indivíduo sente-se bem expondo aquilo para o mundo, se ele aceita as consequências e não prejudica outras pessoas, quem tem a ver com isso?

Eu amo fotografar. Tenho uma memória terrível e gosto de relembrar as coisas. O meio que encontrei para resolver o problema foi usar a câmera. Tenho prazer em revisitar pastas, arquivos e páginas repetidamente. Não é porque eu não estou curtindo o momento que eu quero registrá-lo, mas registro-o justamente por querer eternizá-lo. É o meu modo de fazer as coisas, e eu gosto de colocá-los online porque sim. Eu nunca perguntei: “Você acha que eu deveria parar de fotografar ou parar de publicar fotos?” Então por que tem gente respondendo?

Quero clicar todas as coisas, isso não me atrapalha de forma alguma. A memória é falha, e as tecnologias estão aqui para nos auxiliarem na nossa imperfeição. Até julguei algumas pessoas antes de perceber que pedir para que elas parem de filmar e “assistam com os próprios olhos” é a coisa mais burra e intrusiva que alguém pode fazer. É que ninguém tem nada a ver com isso. (Exceto quando seu celular atrapalha a minha visão do palco. Google Glass já!) As pessoas que me irritam nesse sentido são flooders, que cansam por povoar demais a minha timeline. Eu simplesmente paro de segui-las e deixo que elas sejam felizes fazendo o que querem fazer.

É claro que quem publica tem que ter a plena noção de que – infelizmente! – será julgado e analisado, mas até para sairmos na rua temos que ter isso em mente. O mais irônico é que as pessoas julgam mais o compartilhamento do que o próprio ato que está sendo compartilhado.

Ninguém tem que parar de usar a internet porque a sociedade está incomodada com a ausência daquele ser no “mundo real”. Só afirma isso o iludido que ainda não percebeu o hibridismo do mundo. Nós não estamos parando de viver, estamos encontrando outra forma de viver. Não há nada de errado nisso contanto que cada um se sinta bem.

Da próxima vez que mandar o amigo desligar algum aparelho, pense como seria se há décadas atrás todo mundo tivesse mandado o vizinho desligar o rádio – e conclua onde estaríamos se eles tivessem obedecido. No lugar de lutar contra a tecnologia, você deveria estar usando suas energias para transformá-la em algo melhor. Evolução tem muito mais a ver com como as coisas podem ser do que com o saudosismo de como as coisas já foram.

Por isso, por favor, no lugar de se preocupar se eu ou as outras pessoas estão usando muito o celular, o Facebook ou a câmera, preocupe-se com a sua própria vida. :)

22 ideias sobre “Não vou desligar meu celular: eu vivo o que eu quiser

  1.  

    Eu acho que essa é uma leitura superficial de um fenômeno que indica a necessidade excessiva das pessoas em querer expor a vida em troca de aceitação (em forma de “likes”, curtidas e afins). Acho, sim, que passou dos limites, como é o exemplo da moça da selfie diante do caixão do Eduardo Campos. E as pessoas expõem sempre o melhor da vida delas, o que nem sempre condiz com a realidade, e isso causa frustração em quem não se vê levando essa vida perfeita de instagram, especialmente os mais jovens. E o tal do “after sex”? Não há mais valor em preservar momentos privados? Conheço gente que se planeja pensando na melhor fotografia, e não na melhor experiência. Enfim, respeito sua opinião, mas penso que essa foi uma análise um tanto rasa.


    iemai

    Janaina, a necessidade de se expor e a preservação de momentos privados são justamente as decisões pessoais que eu coloco. O que determina o valor de uma experiência é o sentimento da pessoa que a vive, não? Se ela se sente satisfeita tirando algo do privado, o que importa? Por que precisa necessariamente ser privado? Se a pessoa prefere criar um roteiro da própria vida para expô-la, mas sente-se satisfeita com isso, importa realmente? Não sei, eu vivo as coisas para poder me sentir feliz, se a felicidade estiver de verdade na exposição, não vejo porque não utilizá-la. É o que eu penso…


    I. Malforea

    Oi, Janaina. Desculpe, mas acho que sua resposta foi bastante rasa. O texto da Iemai diz: “se a vida é minha, a privacidade é minha, a câmera e o perfil da rede social são meus, eu tenho o direito de expor o quanto eu quiser”. Isso pra mim é bem claro e simples. Não é preciso muito. Daí você, ao dizer “Não há mais valor em preservar momentos privados?” está padronizando o comportamento de todos e matando a liberdade individual de cada um poder fazer o que bem entender com sua própria imagem. Entenda, eu respeito que você considere absurdas certas atitudes dos OUTROS. Mas, se isso apenas lhe INCOMODA e não lhe PREJUDICA, está tudo certo. É apenas sua opinião contra a do outro. Há muito que me incomoda na atitude dos outros, mas entendo que não me prejudica, então eu simplesmente respeito, paro de seguir a pessoa, etc. Temos liberdade de expressão assegurada inclusive na Constituição. Exerça a sua e deixe que exerçam por aí. Ou, de uma forma mais popular, leia a última frase do texto: “preocupe-se com a sua própria vida”. Abraço!

  2.  

    Entendo sua posição, não estou querendo julgar nem nada, pois realmente… quem cuida da sua vida é você, mas no que diz respeito a minha a inclusão social é um problema. Meu namorado passou pela fase de vicio pela internet, coisa que eu superei faz tempo, mas ainda percebo que o meu tio adolescente esta no mesmo caminho, e … sabe, não querendo julgar a SUA vida, mas ele daquele jeito é triste. Não digo que “ei, desligue isso para sempre”, mas sabe… Ele leva o notebook para mesa quando vai almoçar, tomar café, jantar… E sem falar que não sai de casa por que não quer usar ele na rua, a namorada dele esta terminando com ele por causa disso e a unica coisa em que ele pensa é que a bateria do celular ta acabando. Isso é triste, e o que as pessoas julgam é o vicio, e é o fato de todos se importarem tanto com status e aparência-social-virtual que você escreveu esse post para se defender, e eu estou escrevendo esse comentário. Percebe? È triste… Apenas isso, não me leve a mal.

  3.  

    Acho que você teve uma extrema coragem em escrever algo assim. É difícil a gente expor uma opinião quando o movimento da maré é contrário.
    Se pipocam cada vez mais fotos, atualizações de status e likes, os textos criticando tudo isso são os que estão sendo escritos. Essa é a primeira vez que vejo alguém defender o movimento ‘pró-virtual’.
    Porém, se muitas das coisas lidas acima fazem todo o sentido, também têm muitas sendo ignoradas.
    Discordo que o privado seja uma opção pessoal, afinal, a gente vive em sociedade! Além disso, TODOS nós fazemos coisas para sermos aceitos pelo nosso grupo, nosso bando. É normal, é parte de qualquer animal que vive coletivamente.
    É como um hit musical – basta colocar qualquer música para tocar muitas vezes no rádio que eventualmente a massa vai gostar. É um comportamento normal e esperado! Tem milhares de profissionais usando e abusando disso para ganhar dinheiro.
    E eu acho que o mesmo está acontecendo com a super exposição na internet. A maioria acha que se não mostrar que está se divertindo, é pq não está – afinal, qual a graça de se divertir sem esfregar isso no facebook dos outros?
    E tem vários estudos e pesquisas por aí mostrando que quanto mais selfies você posta menos sexo você faz. Por aí vai.
    Eu não tenho saco/interesse de saber tanto sobre a vida das mais de 700 pessoas do meu Facebook, mas consegui resolver meu ‘problema’: sigo menos de 10 pessoas. E se elas começam a postar o que almoçaram, eu deixo de seguir também.
    A verdade é que não me incomoda que ninguém seja viciado no seu smartphone, contanto que não faça uso do seu vício ao meu lado. Aí sim, acho que é uma questão de (falta de) respeito. Sou ex-fumante e sempre tentei respeitar quem não fumava e acho que aqui se aplica a mesma regra. Se eu não acendia um cigarro na mesa de não fumantes, acho que não custa nada o ‘viciado’ deixar o celular na bolsa/bolso enquanto janta comigo…

  4.  

    Legal: after sex (que foi?), se expor (gosto mesmo, admito), fotos de comida, bichinhos, etc
    Odeio: gente que tira foto sua quando você não quer em locais inapropriados (trabalho, curso), gente que mete celular/tablet na sua frente em shows e exposições.

    A maior questão não é exacerbar o SEU espaço (façam como quiserem, eu amo muito tudo isso), e sim quando invade o dos outros. Aí acho que pode-se chamar de “passar dos limites”.

    Eu, por ser esquecida nata, acabo tirando poucas fotos dos momentos que me divirto muito, mas não me arrependo. Apenas não sou adepta de muitos cliques nesses momentos, esqueço mesmo e não me fazem falta. Nada contra quem é, adoro, como já disse.

    Bjsssss!
    Re

  5.  

    Adoro internet, não me imagino sem smarthphone e acho sim que me exponho um pouco online (quase todo mundo, né?). Mas o problema é justamente quando deixa de ser apenas sobre a sua pessoa online e afeta a vida “física” das pessoas ao seu lado . Por exemplo, atendimento ao público faz parte do meu trabalho e é terrível quando estou tentando resolver uma situação, com uma fila de gente esperando, é o atendimento demora duas vezes mais que o necessário porque a pessoa que está sendo atendida fica mexendo no celular o tempo todo e eu tenho que repetir tudo o que digo toda vez porque da primeira vez que eu falei ela não tirou os olhos do celular, não levantou a cabeça e não prestou atenção. Passo por isso todo dia, e acho desrespeito a mim como profissional e às pessoas que estão aguardando. Fora todas as situações sociais em que, no meio de uma conversa com uma amigo, ele começa a te ignorar totalmente pra ficar mexendo no celular. Cada um faz o que quer na internet, mas é necessário um pouquinho de bom senso no que se refere ao que está acontecendo à sua volta enquanto você está online e como suas ações podem afetar às outras pessoas. bjbj

  6.  

    Concordo com várias coisas que você falou, mas acho que não é aplicável a todas as pessoas. O “faça o que quiser com a sua vida, contanto que não me atrapalhe”, não é um pensamento que me agrada. As pessoas devem ser livres para tomarem as próprias decisões. Mas, não consigo achar que “tudo bem” alguém de fato trocar todo tipo de relação ao vivo por relações virtuais. O ser humano é um ser social. E existem pesquisas o suficiente para mostrar que a gente fica mais feliz só em VER pessoas. Incrível, né? Nosso cérebro é bastante complexo.

    Concordo demais quando você diz que não estamos parando de viver, apenas mudando a forma como vivemos. Mas, ainda tento entender exatamente como é essa nova forma.. o que tem nela que é bom? O que tem de ruim? Vale a pena de fato trocar uma pela outra? Ou não é uma questão de troca? Existem limites? Aonde fica o equilíbrio?
    Se estamos buscando prazer imediato, tudo bem pensar em “você prefere fazer assim ou assado?”, mas se queremos pensar em saúde mental e qualidade de vida a longo prazo, então temos que conhecer melhor os efeitos disso tudo… Não sou contra nem a favor da tecnologia/internet em si, mas sim de conhecer, entender. E claro, sempre sou a favor de que cada pessoa decida o que é melhor para ela, e que se responsabilize pelas consequências disso… as boas e as ruins. Afinal, não recrimino o uso de drogas, mas se uma pessoa querida passar a usar, vou fazer sim me preocupar e vou querer que ela conheça todos os efeitos no organismo dela, os efeitos sociais… e o ideal é ela conhecer tudo e poder tomar uma decisão mais acertada, em que leve em consideração tudo isso, não que aja simplesmente pelo vício, pelo prazer imediato. E não… não estou comparando tecnologia com drogas. Uma coisa é completamente diferente da outra.. Estou só citando um caso de responsabilização, de tomada de decisão com conhecimento de causa. E essa decisão é pessoal e eu respeito.

    Tudo é relativo, né. Tudo depende.

    Mas, uma coisa é fato, como você também falou: não acho que o caminho seja lutar contra, mas usar as nossas energias para transformá-la em algo melhor, sempre.

    Acho que esse é um tema muito complexo para ser abordado com responsabilidade em apenas um comentário pequeno, mas quis expor pelo menos um pouquinhozinho da minha opinião e terminar dizendo que acredito em um equilíbrio e busco isso para mim, mas que acredito também na liberdade e sei que o que é melhor para mim, nem sempre é melhor para outras pessoas.

    ;*


    Rafaella Ribeiro

    Concordo em gênero, número e grau!

  7. Pingback: LINKS DA SEMANA #5 | Starships & Queens

  8.  

    Já ouvi muitos “A Isabelle tira foto de tudo”, “Qual é a graça em tirar foto do céu, se todo dia ele é o mesmo?”, “Tu respira facebook”, “Tudo é esse blog”… admito que algumas vezes eu acabei não registrando momentos legais por causa desse tipo de comentário. É bem chato, principalmente com quem tem blog ou trabalha na internet porque sempre terá alguém pra dizer: “Sai desse vício”. Eu gosto de registrar os meus momentos, não os dos outros, não é crime fotografar as coisas legais da vida, não tem nada de errado em compartilhar coisas boas na internet, o fato é que sempre terá alguém pra reclamar, pra se meter onde não chamado e pra cuidar da vida alheia né, mas cuida da própria vida….

  9.  

    Emi, achei o seu post lindo e concordo com tudo. Acho que o seu limite termina onde começa o meu. Faça o que bem entender com sua imagem pessoal e sua privacidade, contando que isso não prejudique os outros (como a Re citou, celulares na sua frente em um show ou pessoas tirando fotos suas e publicando na internet sem sua permissão). Mas reclamar de foto de “after sex” na timeline, na minha opinião, é mimimi. O limite que eu citei lá em cima, nesse caso, é a timeline. Se a pessoa ultrapassou o limite dela expondo demais na sua timeline, apenas não a tenha mais na sua timeline. Sabe? As pessoas reclamam e reclamam da super exposição alheia, mas não tem coragem de clicar no unfollow ou no unfriend pois faz questão de continuar observando. Isso, pra mim, é sadismo. Se uma coisa incomoda, basta cortá-la da sua vida. E contanto que não ultrapassem os meus limites, eu tô sussa. Postou e eu não curti, eu paro de ver. Simples assim. ;)

  10.  

    Eu concordo com vc, desde que a pessoa não invada meu espaço pra isso.. Veja bem, ja vi pessoas tirando fotos minhas, sem minha autorização..
    Eu AMO fotografar e sei que é chato usar imagem de pessoas…
    Concordo que a fotografia ajuda em N situações, tb tenho péssima memória, mas infelizmente existem pessoas que não sabem usar e acaba sendo falta de respeito
    que nem.. selfie em velório, isso pra mim foi o fim

    Mas enfim né? =)
    BEIJÃO e adorei a publicação

  11.  

    Hey, Emi! Seguia seu blog há anos atrás e resolvi dar uma zapeada por antigas urls conhecidas, tentando voltar a usar a web com mais frequência. Seu post venho bem a calhar com reflexões no dia-a-dia e nesses anos de afastamento. De fato, publicamos e estamos nos expondo, mas a maioria das pessoas ultrapassa as barreiras do bom senso ou, ao menos, da empatia, na hora de comentar. Sempre adorei suas fotos, e assino embaixo do seu direito de documentar seus momentos especiais.
    Essa questão da tecnologia e a simbiose com nossa rotina “real” é algo que repensamos sempre, inevitável. O caso é tentar em fazer o melhor uso dos recursos que temos, e também espalhar um pouco mais de positividade e coisas boas pela web e o mundão real. Isso sim está fazendo muita muita falta.

  12.  

    Eu não me importo da pessoa publicar dezenas de fotos fúteis. Eu excluo da timeline imediatamente. Mas acho que essa necessidade de registrar tudo, reflete o vazio no coração das pessoas. Cada caso é um caso. Mas enfim, basta excluir e ignorar.

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  14.  

    Caramba, que texto maravilhoso!

    Acho engraçado como as pessoas não perdem essa mania de “você deveria fazer isso e não aquilo”. Essa coisa de “do meu jeito é que é certo”.

    Desde que os atos de alguém não interfiram no de outra pessoa, cada um tem o direito de fazer o que quiser. De se expor o quanto quiser e quantas vezes quiser.

    E é bem por aí, não vou desligar meu celular nem me limitar por preguiça alheia.

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