Posts da categoria: Mundo real

19
jan
2012

Pelo conhecimento livre, contra o regresso

Não é hora de acabar com o compartilhamento e com a “pirataria”. É hora de acabar com leis que não fazem mais sentido na sociedade em que vivemos. É, eu poderia dizer muita mais coisa sobre tudo isso, mas hoje prefiro reproduzir um texto, do Djalma Valois, que me marcou muito na época que estava fazendo meu TCC e representa muito bem as minhas ideias. Quem tiver coragem de ler tudo não vai se arrepender.

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Amanhecia na aldeia Ventus e, aos primeiros raios de sol, era comum os aldeões partirem para a floresta, iniciando a caça que lhes garantiria o alimento do dia… Como toda aldeia naquela época, os homens mais velhos guiavam os jovens na caçada, apresentavam o uso das armas, ensinavam a preparação das armadilhas e outras atividades que garantiam a segurança e a sobrevivência da aldeia. As mulheres reconheciam ervas e uma variedade enorme de plantas, dava-se sabor com os temperos, receitas e métodos no tratamento das iguarias, que também eram repassadas para as demais jovens. Dessa maneira garantia-se a vida de todos, com uma qualidade que era obtida a partir do conhecimento coletivo.

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22
fev
2011

Os Três Mosqueteiros

Ando tão aplicada com o blog que fiquei uma semana sem postar e já estou achando um absurdo. E que semana cheia! Eventos com Zico no VC (que foram divertidos e só estão nessa lista porque fazem parte dos motivos do “agito”), TPM, viagem que não deu certo, conexão morta-viva, dor de cabeça, Maria líder (mwaeha o pior da semana!) etc… Mas está tudo bem e voltamos com gás! :)

Enquanto minha conexão não funcionava, aproveitei para terminar de ler Os Três Mosqueteiros. Queria fazer sempre um post dedicado aos livros que eu for lendo esse ano, mas meu ritmo de leitura anda terrível e tudo que eu li até agora foi isso (ameniza o pecado o fato dele ter mais de 500 páginas?). De qualquer jeito, já senti que não vou ler tanto quanto ano passado. :/

O livro é maravilhoso. Meu irmão comprou há algum tempo num sebo e eu nunca li porque tinha a impressão de que a linguagem era pesada e difícil. Num dia em que eu ia enfrentar uma espera gigante e não tinha nenhum outro livro, resolvi dar uma chance a ele.

Se eu soubesse, teria lido antes. A linguagem é uma delícia e eu tive a sensação de que eram vários livros. Juro que a história poderia acabar em várias etapas e já teria um final foda. Só que acho que o que mais me fez gostar dele foi o final. Sei lá, achei o melhor epílogo que já li. Detesto quando autores escrevem o “depois” da história, mas dessa vez foi tão vida real que eu fiquei tocada por horas depois de ler.

Enfim, dei cinco estrelinha lá no Skoob. Fiquei com vontade de ler outros clássicos. :)


É pela coragem, toma boa nota disso, tão-somente pela coragem que um fidalgo se eleva hoje em dia. Quem quer que trema por um segundo deixa fugir a isca que, precisamente nesse segundo, lhe atira a fortuna.

A vida é um rosário de miseriazinhas que o filósofo desafia dando risada. Sêde filósofos como eu, senhores, assentai-vos à mesa e bebamos; nada faz parecer o futuro mais cor-de-rosa do que olhar para ele através de um copo de chambertin.

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30
dez
2010

Os livros que li em 2010

Minha meta de leitura foi a única resolução de ano novo que eu realmente consegui cumprir. :P Triste, uh? Nada de aprender a dirigir, nada de fazer um bando de viagens, nada de ficar rica (hello?). haha Pelo menos uma já é algo pra quem nunca consegue cumprir nada!

O objetivo era ler 20 livros. Li 30 e tenho esperanças de ler mais ano que vem – até porque está aberta oficialmente a temporada de monografia por aqui, babies! Preparem-se para muito lamento e desespero.

Em alguns momentos não li mais porque não tinha mesmo nenhum livro em mãos e nem paciência pra ebook. :( Apesar disso, dei chance a uns pobres empoeirados aqui de casa, reli toda série do Guia e comecei a ler HP em inglês.

Vou falar um pouco sobre alguns, ou sobre porque resolvi (re)lê-los. Você não precisa ler o post todo nãão! Já fico feliz se só deixar uma sugestão de leitura pro ano que vem! :)

Pra quem gosta da coisa, me adiciona no Skoob! :)

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31
out
2010

O presidente da galáxia

Eu poderia falar sobre as eleições, comentar os discursos, repetir todos esses padrões e todas as histórias. Eu poderia falar sobre como meu voto não foi a favor de um candidato, mas contra as bandeiras religiosas e preconceituosas que foram levantadas para derrubar sua candidatura. Mas a grande questão nem é essa, é que eu vou sentir falta do Lula. Só de assistir os maçantes minutos de discursos pós-eleição de Dilma e Serra, já comecei a sentir.

Apesar de todos os contras que podem ser levantados, Lula era a figura pública a quem queríamos bem. Ele, não por ser operário ou o que quer que seja, mas pela pessoa como se construiu, era um cara que fazia com que a maioria dos brasileiros se sentisse bem por tê-lo como presidente.

De resto, deixo o Guia falar por mim:

Havia um clima de enorme empolgação entre eles. Trabalhando em equipe, haviam atingido e ultrapassado os limites últimos das leis físicas, reestruturado a configuração fundamental da matéria, forçado, torcido e partido as leis das possibilidades e impossibilidades, mas apesar disso o que mais os entusiasmava era a oportunidade de conhecer um homem com uma faixa alaranjada em volta do pescoço (o distintivo tradicional do presidente da Galáxia). Talvez até não fizesse muita diferença se eles soubessem exatamente quanto poder exercia o presidente da Galáxia: absolutamente nenhum. [...]

O presidente, em particular, é simplesmente uma figura pública: não detém nenhum poder. Ele é aparentemente escolhido pelo governo, mas as qualidades que ele deve exibir nada têm a ver com liderança. Ele deve é possuir um sutil talento para provocar indignação. Por esse motivo, o presidente é sempre uma figura polêmica, sempre uma personalidade irritante, porém fascinante ao mesmo tempo. Não cabe a ele exercer o poder, e sim desviar a atenção do poder. [...]

Pouquíssimas pessoas sabem que o presidente e o governo praticamente não têm nenhum poder, e, dessas pouquíssimas pessoas, apenas seis sabem onde é, de fato, exercido o verdadeiro poder político. A maioria das outras está convencida de que, em última instância, o poder é exercido por um computador. Elas não poderiam estar mais erradas.

Douglas Adams, O Guia do Mochileiro das Galáxias

[editado] Sobre a onda xenófoba no twitter, eu gostaria de acrescentar: se você vivesse abaixo da linha da pobreza, eu queria ver se você estaria falando mal dos nordestinos e das escolhas deles. :) É claro que os ricos vão reclamar daqueles que preferem dar atenção aos pobres. É claro. É a criança mimada chorando porque a mãe deu o brinquedinho quebrado pro menino de rua. Como diz a canção: “O Brasil não conhece o Brasil. O Brasil nunca foi ao Brasil.”

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21
out
2010

A polêmica do Photoshop


Minha pergunta é simples: quem definiu que o talento tem que estar atrás da câmera e não pode estar atrás do monitor? Na minha opinião, a arte independe da técnica – o importante é o resultado final. Até porque dá trabalho do mesmo jeito, se não mais. Se for assim, sei lá… Pintores, abandonem seus pincéis!

Enfim, já clamava a saparia: “Não há mais poesia, mas há artes poéticas”.

E você? O que acha?

Foto tirada com a pequena Enola, pouco antes dela ir para o céus das câmeras. :(
Edição cheia de noise, eu seeei.

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19
ago
2010

Precisava complicar tudo?

Dias de frio são a prova irrefutável de que o ser humano não foi criado para trabalhar. O corpo se nega firmemente a sair da cama e as horas ficam cheias de preguiça… É o metabolismo voltando às suas origens, para o tempo em que as pessoas eram todas contentes. Sim, gente, porque idiotas foram os homens que resolveram complicar o mundo.

O mundo era um lugar bonito e feliz. As pessoas comiam, bebiam, passeavam, dormiam e se divertiam com todas as outras variáveis básicas de uma vida sem o que fazer. Até que algum contrariado que não tinha sido convidado para alguma festa-nas-cavernas pensou: “Oh, eles me pagam. Vamos acabar com a diversão!”. E puf! A coisa deu no que deu.

Depois, para tentar amenizar a merda que tinha sido feita, começaram a inventar coisas como o videogame e os sites pornôs, mas aí já era tarde demais.

Enfim, como minhas preces para me tornar o urso polar da Coca-Cola e poder hibernar no inverno ainda não foram atendidas, continuo trabalhando. Aqui vão mais algumas fotinhas tiradas no quintal lá da agência.







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14
ago
2010

Perdidos no ciberespaço

O legal da internet é que, se ela está parada, a culpa é sua. Afinal, ela nunca está parada. Complexo?

Quero dizer, se a internet está parada é porque você não está no lugar certo; ou não segue as pessoas certas; ou não frequenta os sites certos.

Fiquei perplexa com essa percepção boba, mas repentina. Dentro do meu “círculo virtual”, às vezes sinto que não acontece nada. Ao mesmo tempo, tenho a consciência de que o fluxo dentro da rede está sendo incessantemente atualizado… Que existem pessoas conversando constantemente. Uma contradição que, sim, é apenas uma malfeita caricatura do mundo real – e, ao mesmo tempo, parece ainda mais real do que ele.

Cômico é que só basta um clique para ir para um local totalmente movimentado e, ao mesmo tempo, fica a dúvida: para onde ir?

Muita gente, muitos sites, muitos blogs, muitos lugares e nenhum mapa. O caminho fica ainda mais difícil quando a cada parada encontro mais citações, mais reblogagens, mais retweets… Sei lá, quero pessoas (fora do mainstream) que criem coisas legais ou falem coisas interessantes. Alguém tem alguma indicação?

P.S.: Sinto que esse post tem um complemento e também uma completa discrepância em relação ao post do dia 5. Como pode?

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05
ago
2010

O Vórtice da Perspectiva Total

A internet é uma espécie de Vórtice da Perspectiva Total simplificado.

- O que é que isso faz com as pessoas?
- O Universo, toda a infinidade do Universo reunida. Infinitos sóis, infinitas distâncias entre eles e você, um pontinho invisível sobre outro pontinho invisível, infinitamente pequeno.
[...] O homem que inventou o Vórtice da Perspectiva Total o fez basicamente para irritar sua mulher.
Trin Tragula – esse era seu nome – era um sonhador, um pensador, um filósofo ou, como sua mulher o definiria, um idiota.
E ela o enchia sem cessar por conta do tempo absurdamente longo que ele dedicava a observar o espaço, ou a meditar sobre o mecanismo dos alfinetes de segurança, ou a fazer análises espectográficas de pedaços de pão-de-ló.
- Você precisa entender a dimensão das coisas! – dizia ela, umas 38 vezes em um só dia.
E então ele construiu o Vórtice da Perspectiva Total – só para mostrar a ela.
Em uma ponta ele conectou a totalidade da realidade, extrapolada a partir de um pedaço de pão-de-ló, e na outra conectou sua esposa, de modo que, quando ele colocou a máquina para funcionar, ela viu em um único instante toda a infinidade da criação e viu a si mesma em relação a tudo.
Trin Tragula ficou horrorizado ao descobrir que o choque havia destruído completamente o cérebro de sua mulher. Contudo, para sua satisfação, ele compreendeu que tinha provado de uma vez por todas que, se a vida deve existir em um Universo desse tamanho, uma coisa básica que não se pode entender é a dimensão das coisas.

Trecho de O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams

É isso que a internet faz, de várias maneiras. Ela expande nossa percepção de mundo e nós começamos a nos sentir cada vez mais inúteis e mínimos.

A internet está lotada de pessoas mais talentosas, mais bonitas, mais famosas, mais legais, mais simpáticas, mais promissoras… E todas as vezes em que percebemos cada uma delas, anulamos todas as nossas próprias realizações. Não importa nosso crescimento pessoal, nem nada do que somos capazes perto do que enxergamos nos outros.

A verdade é que nos sentimos cada vez mais intimidados.

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15
mai
2010

Os riscos da febre CFA

Que fique bem claro desde a primeira linha deste texto: não tenho absolutamente NADA contra o Caio Fernando Abreu. Se você é fã do autor e se sentir atingindo de alguma forma por este artigo, leia e releia cuidadosamente para entender direitinho o que eu quero dizer.

Morangos Mofados? Não! Idéias! Exercite a sua criatividade ao invés de deixá-la de molho usando citações!A cada dez tweets da minha timeline, ao menos um é um retweet de alguma frase de Caio Fernando Abreu. E o mesmo acontece no Fotolog: há sempre uma frase do autor em algum caption. No Tumblr, suas idéias são textos soltos ou legendas de fotos. Acho interessante que a juventude tenha encontrado alguém que representou bem os seus sentimentos, mas também acho isso perigoso, muito perigoso.

Primeiro, me pergunto de onde surgiu o fenômeno. Foi praticamente assim: em um dia eu encontrava textos aleatórios e frases construídas pelos próprios autores dos sites; no outro, todos os lugares tinham frases com as mesmas iniciais – CFA.

É quase um vírus, uma febre. E a verdade é que ele escreveu coisas maravilhosas. Mas é um saco, definitivamente UM SACO, entrar em todas as redes sociais das quais você participa e encontrar sempre o mesmo autor.

Se eu quisesse acompanhar citações do Caio Fernando Abreu, eu seguiria os perfis que são dedicados a isso, leria seus livros ou procuraria por suas obras no Google. Simples. Aliás, eu seguia o @caiofabreu até poucas semanas atrás; antes de perceber que eu já seguia umas dez pessoas que tornavam isso completamente desnecessário. Elas já trazem tudo até mim, sem que eu peça, ou que me interesse.

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16
jan
2010

Pense no Haiti, Reze pelo Haiti

Pense no Haiti, Reze pelo Haiti - Caetano Veloso

- O que me parece – disse ela – é que, basicamente, seu trabalho sobre metassistemas permite calcular o peso de toda a areia de uma praia, pesando um grão de cada vez.
- Basicamente, é isso mesmo.

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