28
dez
2009

A curta história da menina que não sabia nadar

Logo pequena compreendeu as verdades que todos procuravam entender. Sem sentir a necessidade de explicar nada a ninguém, aborreceu-se sozinha com as respostas decepcionantes e deslumbrou-se sorrindo das que lhe fizeram exultar.

Na rebeldia da sua prematura adolescência condenou todo o mundo e negou as verdades que já havia encontrado. Fez julgamentos, contratou juízes e conquistou alguns dissabores para a vida inteira.

Mais tarde, fazendo as pazes com o destino, a vida lhe deu de volta as compreensões que já possuíra. Apreciava as coisas que lhe eram apreciáveis – e não fazia questão de agradar o que parecia descartável.

A forma como vivia a vida – com o desleixo próprio de quem sabe que o futuro lhe guarda coisas grandiosas – irritava algumas pessoas.

Quando alguma nova interrogação lhe aparecia, era comum entrar em quarentena, declarar suas próprias férias e adiar todos os compromissos que os outros viam como absurdamente inadiáveis. Nesse meio-tempo, mergulhava em reflexão profunda até encontrar a nova peça que percebera faltar em seu eterno quebra-cabeça.

Tendenciosa como um mergulho, ela costumava ir fundo em todas as suas crenças. E aí não havia onda que a pudesse carregar. Mas era burramente ética e comicamente correta. Só sobrevivia entre os espertos porque não tinha pressa.

Ela era pretensiosa e odiável. E não sabia nadar.

Fantástico mundo da Emi
2 comentários

2 comentários em A curta história da menina que não sabia nadar


  1. deborah
    29 dez 09 às 3:30

    era carregada pela correnteza.


  2. Julia Caleffi
    7 jan 10 às 18:47

    queria ser boa assim

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