Débora era pequena e sem ritmo. Sem ritmo, entenda, não era falta de atividade, mas sobra. Sobrava tanto movimento na pequena que não havia ritmo nenhum, só bagunça, só zuada. Naquele dia, o céu estava limpo e a tarde estava bem no meio.
O céu azul, jurava a menina, só poderia ter um propósito: era tática de mãe para manter criança distraída. Quando Débora olhava para aquela “azulidão” toda só sentia vontade de brincar de ser peixe. Era peixe em toda tarde de sábado e em todo feriado de calor. Era nos sábados porque, jurava ela, nunca tinha visto um 7º dia sem céu limpo – apesar de todos só não discordarem disso para não sofrerem com sua teima. E, nos feriados, porque dia de semana tinha escola e na escola ninguém mais queria ser peixe como ela.
Só que, naquele carnaval, Débora decidiu que venceria. Ia trapacear. Não ia ser peixe e iria descobrir o que sua mãe tanto queria esconder dela. Como seria, afinal, o calor de verdade? Hoje esse mistério acabaria. Não olharia o céu, e, se por algum acidente, seu olhar cruzasse a falta de nuvens, ela ia fazer de conta que era tudo bege. E bege era feio, feio, e parecia grama seca, que dá coceira na gente.
Foi para o quintal determinada. Sol de três da tarde. Fugiu do protetor solar. De repente, o mundo parecia muito mais horizontal, e aquela falta de verticalidade abria mil chances. Hoje Débora ultrapassaria os limites da azulidão. Pulou o cimento e correu livre pelo quintal gramado… corria com a velocidade das meninas, que, nessa idade, é bem mais rápida que a velocidade da luz – e, não conte para ela, bem menor que a velocidade dos meninos. Correu. Correu. Correu. Rolou, caiu, machucou-se, chorou, deu berro, esqueceu, correu mais, pulou, gritou, girou, sujou.
Débora não parava um segundo. E o sol foi esquentando, e sua pele foi esquentando e, bem aos pouquinhos, as gotas começaram a descer por sua testa. E Débora se sentia vermelha – meio camarão, mas camarão não era peixe, por isso era válido. Mas tudo foi ficando esquisito, e tudo meio molhado. Ela não sabia o que estava acontecendo e continuava com sua meta. E Débora foi correndo, e logo corria mais devagar, e logo achava que estava ficando para trás, e logo estava mesmo. Ela não parou, e parecia meio suco. Sem ser peixe, Débora derreteu.
(e sinto que eu terei esse mesmo futuro se o clima não melhorar logo!)

























Fernanda N
oi emi!
tudo bom???
vocês por aí sofrendo com este calor danado e eu aqui no canadá passando um frio danado!! mas tudo bem!! acho que talvez na semana que vem o tempo aqui já começa a esquentar!! e cuidado, você aí para não derreter igual a débora, hein??
beijocas!!
Anny
Meu deus que crônica linda *-* adorei da maneira que você escreve, já sou fã de blogs cult! :)
Seu theme é super diferente também ^^
Beijão ;*
Jarbas
amo você!
adorei o texto. Curitiba tem estado quentíssima, também.
saudades.
beijos.
Robbie Jacks
Uhauhauhaua, coitada da Deby! Mas sim, você tem uma maneira linda de escrever. Não me canso de vir aqui! Que pena que vc saiu do TDB…
Ray-Sama
Aloha!
Nuss, acho que é isso o q está acontecendo com uma pá de gente nesse calor. Se bem que deu uma melhoradinha. Inha!
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Pois é, também acho q ler vários ao mesmo tempo tira o foco de um, aí vira uma bagunça só!
*Mas não foi o Robinson que foi pra Índia e o Vasco da Gama pro Brasil?*
Aloha!
Giordana
Hoje é sábado e é o primeiro dia nublado em muito tempo…. já até começou a cair umas gostas de chuva!
Michele
Débora era na verdade de porcelana.
Débora
Sorte que não sou essa débora G_G