1o Manifesto Misturista

24 de Out de 2008 às 11:18 em Fantástico mundo da Emi

Ontem a gente viu o presepício
Nos convidando a fundar a Pratocimudade
Mas, derrepentemente, a gente virou Misturista.

Mistura tudo!
A gente mistura conceito com parte
E mistura a arte - que é o que é engraçado -
A gente faz crônica pra tecer comentário.
(e, no fim do mês, o saldo da energia te engole)

A gente mistura o que a gente nem tem
Mistura fé com dinheiro
pandeiro com alaúde
E a gente mistura ginga pra dizer ser brasileiro

A gente misturou idioma
e agora cobra copyright
(E há a mistura gringa pra dizer que é homem)

A gente mistura cor pra pintar o cabelo
E também mistura roupa pra criar tribo
eU gRITO: a minha tribo é tupi-guarani!

Agora a gente mistura inglês - e desde quando não misturou? -
E suspira globalização
Já inventaram até aldeia global
Ah,
Mas nem se anime, porque não cabe todo mundo.

A gente diz que quer melhorar tudo
mas a gente somos agente da passiva
A gente olha o erro e fica calado
(senão o ofendido te xinga de mal-amado!

e desde quando não se é hoje em dia?)

A gente usa fotografia como se usasse chinelo
pouca qualidade, muito excreto
Discreto, discreto, surge um herói aqui e ali
midiático.

Talibã católico já se vê hoje em dia
Não há nada que choque
Nem há nada que rime
Poesia é mais necessidade de vazar
sentimento
tormento
ou medo

Fim-do-mês não tem garantia
Salário de carteira é um baixo assinado
(e inversamente proporcional ao meu itinerário)

Pretendo deMonstrar a mistura
de todos os sonetos e técnicas
“não há mais poesia
mas há artes poéticas”

Artista de novela da seis não é herói pontual
A gente só escreve novela
(pra ver se me passa no jornal nacional)

A gente mistura escola - literária ou não -
Mistura escória e mistura perfeição
Música é o que bem há no mundo
Há muita criação, pouca difusão
Há muita parabólica pra pouco pão

Mas eis o que quero dizer:
- Foi-se o reinados dos modernistas
Contemporâneo é nome feio
Agora sou misturista.

Faço minhas rimas quando tenho vontade
e chovem subliminares nas nossas criações
(Há quem perDa tempo tentando descobrir)

- Não nascem mais manuéis Bandeiras!
- Nem mesmo carlos drummonds…
- Não nascem mais Machados de assis!
Dizem os pessimistas

A cada canto escondido
Há um envergonhado poeta
Que só quando mistura dinheiro
Têm reconhecida a arte que excreta.
Estão todos os bons sem serem notados
- sob o manto da individualidade -

Eles misturam economia e sincretismo
Eles misturam aprendizado com vestibular
Eles fazem antropofagia com carne de soja.

Poeta do capitalismo só fala de amor
Apocalipse poético foi o que alguém profetizou

Há muito já quebraram-se ligações com o passado
Há de chegar o dia que quebrem-se as do presente

Ao contar páginas de livros
não há nem sistema binário
Hoje poesia é movida
pelo seu saldo bancário

Prostitutos todos os poetas atuais
Quebremos o quebranto das letras:
Quero a arte por paixão!
a arte new face
a arte que critique, resgate
passado, futuro e até o dadá
Façamos a arte do gosto
Não arte do que vão nos pagar.

4 comentários em '1o Manifesto Misturista'

  1. Dani

    26 Out 08 às 1:56

    Adorei seu blog, sua originalidade!!
    O seu template tá lindo!
    Conheci seu blog pelo Tudo de Blog da Capricho,
    amei!
    Continue assim

    beijos,

    Daniela Vieira

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  2. Fernando

    26 Out 08 às 15:26

    AH!
    eu me sinto menos sozinho quando te leio =x
    poxa…eu teria 20 mil coisas pra dizer sobre o manifesto, mas..puf…é isso aí.
    eu preciso te perguntar coisas, mas vou bolar primeiro

    beijo ;*

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  3. Carol

    27 Out 08 às 21:50

    Eu fiquei refletindo em casa estrofe!
    Que delícia!
    Não tem uma que eu possa destacar, são todas ótimas!!
    Dá vontade de colocar na camiseta e sair por aí!
    Parabéns!
    Beijos

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  4. Mi do Carmo

    10 Nov 08 às 16:02

    filha do céu… vc escreveu isso?
    se foi, temos um algo que podemos dizer,pejorativamemnte, como um gênio por perto?
    será será?

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