Pobreza, meus amigos, é o contrário de liberdade. Isso principalmente porque aposto que Cecília diria sobre este mal: “Há milhões que explicam e ninguém que entenda“.
Acho que o maior problema da pobreza é, exatamente, que ela não é de todo um mal. É mal para quem vive seus infortúnios, sua realidade, e é bem para quem se nutre dela, quem suga a felicidade dos pobres para alcançar e manter sua própria riqueza.
A pobreza é como a fome que eu citei no post anterior. Assola nossas consciências, nossas noites e nos faz acreditar que é melhor ignorarmos, esquecermos, fazermos de conta que não existe. É uma das coisas que, quando consegue lembrar-nos de sua existência, faz com que nos perguntemos como pode ainda existir. A grande diferença é que, na resposta, a pobreza parece, em nossa concepção capitalista de mundo, ter que existir. A fome não.
A gente pode matar a fome de todo mundo, contanto que ainda existam os pobres, para que haja diferenciação de consumo, para que haja subalternos e empregados. Nossos empregados não podem estar famintos, pois assim não trabalharão, mas devem estar ainda abaixo de nós para que continuemos com a política dos baixos salários.
Não podemos acreditar nisso. As consequências da pobreza envolvem o nosso cotidiano e a qualidade de vida de todo mundo. A gente já sabe: nossos pobres são mais pobres, nossos ricos são mais ricos. Não precisa ser do jeito que está e não dá para ficar esperando que as coisas mudem. Mas, céus, o que podemos fazer se tudo que nos agrada é ficar sentado na frente desse tal “computador”?



















jarbas
a pior pobreza é a pobreza de espirito.
Joabe
Lembre-se Iemai do Mito da caverna de Platão…
” … Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. ”
Engraçado como parece com a realidade atual…
Mas o que mais acho legal neste Mito, assim como no seu texto, é o fato que mesmo parecendo que a derrota seja inevitável a semente da dúvida foi plantada e esta possui raízes profundas na mente humana.
“O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação.” Oscar Wilde