Alguém tem que agir

04 de Set de 2008 às 12:57 em Mundo real

Esse alguém não vou ser eu. Taí o problema.

Estudo numa universidade pública, óbvio que você deve saber que, apesar dos benefícios, isso é sinônimo de problemas, reclamações e de muitos alunos querendo fazer revolução, principalmente em alguns cursos como o meu. Desde o meu primeiro dia em Comunicação ouvi um monte de gente fazendo discursos sobre a necessidade de mudança, de envolvimento no movimento estudantil e de ação. Desde o meu primeiro dia em Comunicação eu saquei que aquilo não era pra mim.

Lembro de comentar, desde aquela primeira semana, que eu tinha entrado, sem querer, em um curso de Política com ênfase em Jornalismo. Mais tarde descobri que eu tinha entrado em um pseudo-curso de qualquer-coisa-só-pra-ganhar-diploma e que ninguém estava mesmo preocupado como tinha parecido. O primeiro semestre até serviu para algo, mas juro que não aprendi nada no semestre passado. Claro, a culpa foi minha.

Desde o prézinho ouvi meus professores falarem que nós chegaríamos na universidade e a moleza ia acabar: o professor ia chegar na sala de aula, jogar os livros na mesa, falar para pesquisarmos sobre algum extenso assunto que não seria encontrado nos livros da biblioteca e a temível avaliação viria o mais breve possível. Balela. A moleza só aumentou. Mas eles ainda estavam certos. São muitos (o que não quer dizer que são todos e nem que são a maioria) os professores que chegam, sentam, jogam, falam, mas a avaliação nunca chega – aliás, chega, mas as notas são mais reflexos do humor do dito cujo do que do real aprendizado de quem quer que seja. Além disso, você não precisa ler livros e nem temer nada. Descobri que, se depender desses professores, faculdade vai ser sempre só fachada.

Ainda assim, a culpa foi minha. Eu não segui os conselhos. Foram vários os que disseram que eu aprenderia mais fora das salas de aula e que eu não aprenderia nada se não tivesse o interesse de eu mesma buscar. Interesse… A partir desse momento compreendi que é mesmo preciso paixão pela profissão, afinal, pelo menos comigo, é assim que funciona: eu devo realmente ter que gostar de algo para ter tamanho interesse. O problema é que eu não tenho paixão por algo que não conheço, e eu achei que entraria na universidade para aprender e conhecer o tal do Jornalismo (ou vai dizer que você não achou sempre que ser jornalista é sentar na cadeira e fazer papel de Fátima e Bonner? Pois é, lá dentro quase te empurram que jornalismo é conhecer um tal de lead).

Só que a culpa ainda é minha. Eu não faço nada para mudar as situações que tanto me desagradam. Enquanto alguns dos meus colegas estão empenhados nas tais ações e revoluções, eu só consigo sentar, reclamar, escrever um texto desse e continuar indo para a faculdade. Acho que não nasci para mudar e, principalmente, não nasci para me mudar a contragosto. Não tenho saco para politicagem, jogo de empurra e assembléias. E é por isso que a realidade problemática das faculdades continuará sempre a mesma bosta: por gente como eu. E é por isso que meu curso continuará insosso e formando profissionais precocemente cansados: por gente como eu e como a maioria dos meus colegas. Os inconformados conformados.

Se ao menos os empenhados fossem a maioria… Ou se ao menos os empenhados soubessem os limites, se soubessem escolher melhor as causas e as formas pelas quais fazem protesto… Se não pudéssemos quase todos ser divididos em duas classes: os rebeldes sem causa e os não-rebeldes que têm causas pelas quais se rebelar…

Bem que meus colegas de Computação repetiam: “- Você vai fazer um curso de quatro anos para aprender a ler o texto que vai passar, na sua frente, numa telinha sem graça?” Maledetos. Estavam quase certos, a telinha tem nome chique, teleprompter, e alguém tem que escrever.

16 comentários em 'Alguém tem que agir'

  1. Nana

    4 Set 08 às 16:16

    Olha, não sei de quem é a culpa, nem se ela é sua ou minha, mas o fato é que, se você tem culpa, eu também tive. Nunca fui revolucionária lute-pelo-seu-direito. O fato é que a minha faculdade, o curso em si, foi uma perda de tempo. Tanto que o que faço hoje não tem nada a ver com o curso que “fiz” (fiz entre aspas, porque larguei no último ano). Outro fato é que nada do que sei é graças a faculdade. Aliás, ultimamente tenho feito uns cursos a distância e posso dize sem dúvidas que aprendo muito mais com eles e com meus métodos auto didatas do que com a universidade. Mas… enfim!
    Não se culpe! Você não é e nem nunca será a única.

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  2. Nanyzinha

    4 Set 08 às 16:16

    Poisé né Emi.. e no meu curso que começou com o pessoal xoxo e ainda tá na mesma coisa, é ai que eu repito pra mim mesma o que sempre falo brincando (ironia) pra você e pras meninas, estou no curso errado.
    E é eu ouvi tanto isso no cursinho de que lá se agente tava achando dificil deixava chegar na faculdade que agente ia ver a “porca torcer o rabo”
    eu por parte vi isso você sabe né ;x Mas ainda falta tanta coisa ali naquela Uesb.. principalmente alunos interessados em coisas digamos .. Nescessárias como alguns movimentos estudantis e não alunos que falam da boca pra fora ou exageram nas reclamaçoes… Axo que transformei meu comentário numa estensão do seu post Emi ;x akopekpaoekpaokepaokepaokepoakepekaop
    saudade de vc minha pequena talentosa Emi.. adorei como tá seu blogsite ;}
    bejoo graaande pequena do meu coração ?

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  3. deborah

    4 Set 08 às 18:19

    não sei sobre ir às ruas e protestar, mas, é. eu estou aprendendo do jeito ruim que não vou aprender nada se não for atrás.

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  4. Gabriela

    4 Set 08 às 19:38

    Nossa! Eu realmente tinha em mente algo parecido com o que todos falam sobre ‘na falcudade você tem que pesquisar muito , enfiar a cara nos livros pq os professores não vão ser pessoas fáceis’ … Pra falar a verdade , minha mãe fala isso até hoje comigo. Bom ler algo diferente.

    Eu não sei exatamente o que vou fazer e as inscrições pro vestibular já iniciaram.. Eu realmente espero me apegar muito ao que decidir cursar :P…

    Minha irmã também reclamava bastante sabe. Ela estava fazendo Comunicação e comentava sobre colegas querendo se rebelar, protestar direitos estudantis.Mas ela realmente não se envolveu e fechou a matrícula porque não estava gostando nem um pouco do curso.
    Enfim :)..

    Adorei seu blog.. Vou te linkar , ok ?
    Beijinho

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  5. Ju

    4 Set 08 às 21:17

    Eu tenho muitas folhas! :D
    Só precisamos de um nome pequena!! x_______X

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  6. Cerqueira

    4 Set 08 às 23:27

    Emi… pedido… por favor… publique seu texto, este texto… completo no revertério.

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  7. wille

    5 Set 08 às 0:10

    eu fiz rádio e tv na Federal de Sergipe…e a sensação que tive quando saí é bem parecida com a sua. Fico com inveja quando vejo meus amigos que fazem outros cursos falando sobre algum assunto que eles aprenderam na universidade. Vários professores que eu tive não chegavam a passar um único texto pra ler… aulas baseadas apenas em conhecimento oral, sem nenhum embasamento teórico.

    Os professores adoravam pedir análises de programas de televisão…. pra ser feito em uma semana, sem indicar nenhuma leitura… eles pensam que pelo fato de a gente tá numa universidade, já sabemos tudo que precisamos sobre televisão. basta assistir uma única edição do programa e falar o que vier na cabeça.

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  8. Jarbas

    5 Set 08 às 10:16

    ai meu deus.. você [quase] acabou com meus sonhos de jornalismo.
    [risos] mas uma frase vem acalhar [escreve-se assim?] agora: “os incomodados que mudem o mundo!”

    beijos.

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  9. Dani Danczuk

    5 Set 08 às 21:17

    Sabe de uma coisa, eu estou tentando passar no vestiba de uma federal só pra ter um canudo, porque já me disseram que se eu aprender alguma coisa vai ser bem pouco e que sei muito mais do que vão ensinar. Enfim… eu só não desisti porque infelizmente hoje em dia, muuuuuitas empresas colocam “rótulos” nas pessoas antes de cadastrar “ah esse tem canudo, então contrata”, “ah esse não tem canudo, nem precisa entrevistar ele”. Infelizmente é assim na maioria dos casos ¬¬
    Apesar de tudo que você falou, você leva jeito pra escrever e você não precisa ser jornalista só na área de política e coisas do tipo, pode ser de outra coisa, como moda, comportamento… haha
    Beijos

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  10. Dani Danczuk

    5 Set 08 às 21:17

    Ahhh adorei o layout novo ;)

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  11. Lyn

    7 Set 08 às 22:51

    primeiro queria elogiar mais uma vez seu layout, qdo eu penso q vc não vai fazer um outro melhor, vai lá e faz! hahaha…
    agora sobre o seu post (afinal eu não vim aqui só pra ver layout ahusha) eu acho q só pelo fato de vc estar incomodada já é uma grande coisa! sinal q vc tá ligada, e sinal q só falta vc saber COMO poderá fazer algo de ‘revolucionário’ para poder mudar a atual realidade. uma coisa q eu ouvi e nunca esqueço: ‘é o aluno q faz a faculdade e não o contrário’. esperar q uma faculdade te faça ser um puta profissional sem vc fazer nenhum esforço, realmente vai ser melhor sentar pra não ficar cansada ao esperar que isso aconteça. no final das contas é vc q tem q ir atrás, ninguém vai dar de mão beijada.
    e eu acredito q uma hora ou outra vc (eu, e todo mundo q estiver procurando) vai encontrar o tal caminho das pedras pra chegar ao seu objetivo (q na maioria das vezes nem esta definido) e a faculdade vai ser apenas UM dos meios de transporte…
    no mais espero ter conseguido passar a minha idéia ao tentar entender o seu problema, rs
    beijos ;*

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  12. Ellen Lapa

    8 Set 08 às 13:53

    É Emi, me integre no time dos que não fazem nada… isso também não é pra mim… Eu vejo aquele povo tão empenhado em mudar, mudar e mudar, e eu penso ” Poxa, que será que tem em Dona Dalva pra comer agora?” rsrs…
    Fazer oq? Empurrar o curso guela a baixo, e esperar o tal interesse chegar..

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  13. Chris

    8 Set 08 às 15:44

    Se fosse para escolher hoje, faria aquelas faculdades de 2 anos de duração.
    Todo curso de 4 anos envolve muita enchessão de linguiça.
    Quanto a parte politica….vide o que aconteceram na usp não sei se é realmente muito bom quanto esses estudantes resolvem tomar atitudes.
    Isso devia ficar pra quem ja foi formado…tem visão melhor das coisas. Bem minha opinião..mas não sei se alguém formado depois de anos na correria se importaria com a instituição que saiu.

    Layout lindo como sempre, vontade de colocar esse tb no meu themelog.

    beijocas!

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  14. Mi do Carmo

    8 Set 08 às 17:02

    o problema de quem quer mudar é que pretende faze-lo vestido de Che Guevara, o que não funciona nos tempos de hoje. Uma coisa vc tem razão, mudar dá trabalho e não é todo mundo que tá com vontade de tentar, mas geralmente tem a ver com o jeito que vc encara a realidade. É tudo muito dificil. Se tá sendo pra vc, imagine como foi pra minha turma que tinha menos professores e menos tudo. Mas cada um com sua cruz e funcionalidade. A primeira turma lutou pelo laboratório de impresso, a segunda pelo de rádio, a minha, a quinta turma, pelo laboratório de tele… e assim vai. Os primeiros eram tão radicais que doia até, rs. Depois de uns anos entraram uns totais desinteressados. Hoje, e espero estar errada, vejo muita gente mimada na universidade e no nosso Curso.

    Muita gente fala: “tem que amar a profissão” e como vc disse, não tem como amá-la sem antes conhece-la. E no caso de Jornalismo (e talvez muitas outras tb), 50% desse conhecimento vem depois que vc sai da universidade. Aí, vc junta a paixão de antes com a vontade de fazer do nosso mercado de trabalho algo mais compátivel com os nossos anseios de profissionais de comunicação.

    Eu, honestamente, aprendi muito na UESB, muito mesmo. Não só didaticamente, mas aprendi a lidar com as pessoas, aprendi a sobreviver numa universidade e aprendi a tirar sempre uma coisa boa daquilo que parece perdido. E o curso de comunicação me abriu muitas portas, fora e dentro de mim. Muitos problemas que vc citou acima não são exclusivos do nosso Curso, nem da nossa universidade. São problemas a se enfrentar na nossa educação. Quando se trata de Ciências Humanas é pior ainda porque desde cedo na escola somos programados a não exercer o pensamento, a análise social e não nos vemos como seres políticos. Achamos que nascemos com poucos talentos e devemos explorá-los somente ao invés de desenvolvermos nossa plenitude. Isso tudo dificulta o modo como qualquer comunicólogo é encarado e e reflete através da maneira como os futuros profissionais desta área são posicionados na nossa sociedade.

    É um ciclo e ter paciência para entrar nele é realmente difícil porque ele alterna e se modifica muito rápido. Enquanto isso acontece, estamos estudando Macluhan sem nenhuma conexão com a realidade.

    Mas enfim, se eu não parar escrevo até amanhã!
    Fiz uma confusão nas idéias, mas o trabalho não me permite muito coerência na construção do meu comentário.

    Beijos!

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  15. Ígor Luz

    9 Set 08 às 10:36

    Seria tão bom se não dividissem em apenas dois grupos…

    Estamos decepcionados, acomodados… para mudar, temos nosso cantinho…

    Você é minha pequena… tem um orgulho imenso d’ocê.

    Esse texto era REVERTÉRIO!!!!

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  16. Inara

    23 Set 08 às 17:51

    Inconformados conformados.As pessoas se resumem nisso.O jornalismo se resume nisso.
    Amargamente tive que admitir quase no final do curso : faculdade serve para estreitar relações, fazer aqueles famosos contatos, devorar todos os livrinhos tão sonhados na biblioteca, e só.De verdade. E eu entendi que escolhi jornalismo pq gosto de pessoas.Gosto de me envolver, de entender corpo (reações) e alma. Mas não gosto de noticia. Não, não, noticia é para o mundo imediato de hoje, para pessoas de hoje. Eu gosto mesmo de histórias.Histórias são eternas. =)

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