Sexo, drogas & a praça é nossa, isso mesmo! A praça é do povo, então dai ao povo o que ele gosta, ué!
Ok, vamos falar sério. A Holanda liberou sexo na praça pública e, então, no “país da mulher pelada” chove gente reclamando e criticando essa “imoralidade”. Perguntam se essa medida deveria ou ao menos poderia ser adotada em nosso país e a resposta é simplesmente refletida pela cara de espanto que todo mundo faz quando se comenta o assunto: óbvio que não! Brasileiro está preparado para ver bustos balançando no carnaval, mas não pode passar perto de uma praça imaginando o que pode estar havendo lá no meio dos arbustos. A questão, convenhamos, é que somos lotados de um falso pudor espantoso.
Amiguíssimos, sexo e todo o escambau é a coisa mais normal do mundo. É sim. Pode negar como quiser, mas é. Só que cada sociedade constrói as regras e os tabus de acordo com a sua formação. No país dos moinhos de vento, a liberação de drogas, da prostituição e do sexo em público aconteceu porque para eles isso é aceitável. A sociedade deles foi sustentada de tal forma que eles podem conviver com isso normalmente.
A sua cara de espanto para essa notícia é a mesma cara que alguém de algum outro país pode fazer quando descobre que a gente dança “Toda boa, toda boa, ela é toda boa” no carnaval; as piadinhas que você faz devem ser muitíssimo parecidas com as que alguns estrangeiros fazem quando vêem nossos modelos de biquíni fio dental; e, sim, sua brincadeira de “Vamos nos mudar para a Holanda!” é a cópia descarada da fala de alguém quando se remete ao Brasil.
Quando as pessoas repetiam para você que liberdade traz responsabilidade, elas estavam certíssimas e falavam de coisas como essas. Se os holandeses abriram essas concessões é porque eles sabem que seu povo pode arcar com as conseqüências e que, ao menos a maioria, possui formação adequada para compreender os riscos e os inconvenientes gerados por leis como estas.
No entanto, a nossa sociedade não está pronta para isso. Não vou discutir se é positivo ou negativo, mas digo que acima do fato de que talvez não saibamos lidar com essas coisas está o fato de que não conseguimos aceitá-las. Talvez parte desta nossa dificuldade provenha da idéia de que, apesar da afirmação de muitos de que somos um estado laico, valores religiosos continuam a pesar demais aqui dentro. Quando passarmos a compreender leis como estas, talvez estejamos preparados para começar um processo de legalização que seja sustentável e que beneficie a todos – se é que isso pode existir aqui.
Drogados, prostitutas, sexo em praças e todo o resto estão e continuarão presentes, legalizados ou não, mas cabe a cada país encaixá-los no meio social da forma mais construtiva possível. Esse aí foi o meio que o governo holandês encontrou.
Quem sabe hoje em dia, Bandeira diria: “Vou-me embora para a Holanda! Lá sou amigo do rei, lá tenho a mulher que quero, na praça que escolherei.” Quanto a mim, ah, não sei, talvez também tenha demais do falso pudor que eu falei lá atrás?..
- Tema proposto pelo Tudo de Blog para o site.








8 comentários
1
Lane Liu.
28 de Mar, 2008 22:40
vamos pra Hollanda fazer um sexozinho comigo, gata? O:
ASUHSUAISHAIUSUAISHISIHSAHSI.
AMEI!
2
deborah
30 de Mar, 2008 0:25
foi mário de andrade que escreveu vou me embora pra pasárgada, mas releva.
é, eu acho que a holanda faz essas leis pra diminuir essas coisas. o pessoal já fazia sexo nas praças, mesmo. agora que é legalizado, perde um pouco a graça. com as drogas foi assim, tb, o consumo subiu no início, mas depois caiu.
3
Bruh
30 de Mar, 2008 13:46
O problema por aqui nem é religioso, nem cultural. É pura hipocrisia mesmo. That simple. Esse aqui é o país em que tiroteio é normal, mas duas pessoas trocando carícias não.
4
Lidusurf
31 de Mar, 2008 14:30
Aeeeee!
Até que enfim alguém que pensa como eu!!
Claro que essa lei não poderia ser imposta no Brasil! Aqui a gente sofre preconceito, racismo, machismo, todos os ismos possíveis… imagina liberar o sexo na rua. Se bem que, isso seria só na formalidade, pois num país onde a promiscuidade é produto de venda e de consumo, essa posição moralista é uma puta hipocrisia!!
Na Holanda não, os caras têm consciência mesmo. Filósofos. Aiai, vou comprar minha passagem. hahaha
Beijos!
5
Miiii *
02 de Abr, 2008 18:21
Olá…
Gostei muito do seu texto que saiu na Capricho, e resolvi entrar no blog! :D
Muito lindo seu cantinho
Parabéns..
Beijos
;*
6
Carol
02 de Abr, 2008 18:24
A diferença é que na Holanda, pelo menos, a pratica é assumida, regulamentada e aceita…No Brasil ainda há proibição…tsc, tsc, tsc…aposto que aqui tem muito mais sexo na praça do que na Holanda!
Beijo
7
Julia.
02 de Abr, 2008 21:12
Ótimo o texto que saiu na revista, adorei.
Se não for demais, copiei uma parte e coloquei no meu blog super feinho e provisório, até eu aprender a arrumar aquilo né… claro que disse que era daqui, e deixei o link la, se você se importar me avisa que eu tiro o post, sem problemas.
Beijo
8
Camila
08 de Abr, 2008 21:26
Falso pudor será? Hipocrisia talvez? O povo brasileiro, não todo ele mas parte, está cheio das baixarias, dos escandalos políticos e criminosos impunes, liberar sexo em praça pública seria o “ó”, o povo necessita de leis sérias, com o sexo liberado na praça o povo surta.
O “falso pudor” é o resultado de tanta baixaria, de tanto peito de fora e de tanta mulher sem calcinha por aí, não que sejam só as mulhres as culpadas.
E o que você escreveu sobre as piadinhas que os estrangeiros fazem do Brasil, é exatamente isto que acontece, nosso país não é reconheciodo pela educação, pela segurança, etc… Nosso país é o pais do futebol, da mulher pelada e do pagode com cervela.