Os dedos são os braços pelos quais as mãos se abraçam à procura de proteção. No aperto o corpo sabe que encontrou abrigo, acalenta-se e se envolve, entrega-se porque sabe que possui o direito de se fortalecer.
Mãos se unem para abençoar, mãos se unem para buscar forças, mãos se unem para passar confiança, mãos se unem para evitar quedas e para guiar caminhos, mãos se unem para construir correntes, para orações, para dançar cantigas, valsas, forrós e tangos.
As mãos são os laços pelos quais os homens se amarram, as unhas são as promessas não ditas e os calos são as dores não choradas. Em cada fiapo e em cada cutÃcula escondem-se segredos e juras, tantas juras quanto as linhas que marcam estes dedos. Nas palmas, que ciganas tentam decifrar, a esperança de segurar amores e futuros vãos. Cada homem, uma digital, na certeza da singularidade, na certeza de ser único no mundo.
Quando duas digitais se encontram e se encantam, são estas mesmas mãos que se unem para formar o que os homens apelidaram de amor; são estes mesmos dedos que se coroam para o que se diz eternidade. Benditos sejam os homens que, entre tantas digitais, encontram aquela lhe ampara.