Arquivo do mês: dezembro 2007

31
dez
2007

O estalo

Eu tenho uma mania danada de achar que as pessoas parecem comigo. É como um estalo, sei lá. Eu estou vendo alguma foto ou filme e, de repente, vem na cabeça: “Ela parece comigo!”. Aí, quando eu falo, as pessoas fazem aquela cara de tédio, como quem quer dizer: “Nada a ver, como essa criatura pode ser assim? Será que o cérebro dela funciona de um jeito tão diferente assim do meu?“. Eu acho que o problema não é comigo, sério. Achei ainda mais depois do dia em que me disseram que eu parecia a Devon Aoki, mas a criatura não era muito certa mesmo.

Pois eis que numa bela tarde, eu estava assistindo Escola do Rock pela trigésima quinta vez e veio aquela coisa do fundo da alma, uma vontade subiu de dentro do meu estômago, forte, ameaçadora. Não era vômito, era só O estalo. Olhei para um lado, para o outro e não vi ninguém. Eu levantei repentinamente e gritei para mim mesma, enquanto apontava para tv: “AHÁ! Ela parece comigo!” (teatral, né? :P). Não tinha ninguém para fazer cara de tédio como quem quer dizer aquela coisa grande do primeiro parágrafo, então só voltei a assistir o filme.

Summer, Escola de Rock Muitos minutos depois, meu irmão já está por perto e meu pai chega, senta e começa a ver o filme. Do nada, ele tem o estalo e aponta para a tv: “ESSA MENINA É A CARA DE EMILÃINE! hahahaha”, e começa a rir, “Olha lá, é igualzinha! Só falta o cabelo rosa! hahahahaha”.

Eu sabia que eu não podia estar sempre errada – ou vai ver eu herdei o cérebro do meu pai.

Cotidianês
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29
dez
2007

Aleatório

29 dez 07Amanda nunca entendeu a ordem como as coisas acontecem. Ela sempre achou que a vida era uma bagunça danada e que a mãe dela não podia reclamar da sua pontualidade justamente por isso. Nos últimos dias, ela andava reparando como tudo costuma vir exatamente na hora errada.

Por exemplo, Amanda sempre desejou passear na praia com suas meias azuis, mas a viagem para praia chegou exatamente dois dias depois de Amanda perder suas meias. E ninguém nem podia argumentar dizendo que esse era um caso raro, porque ela tinha uma grande lista de casos assim, todos recentes – e dolorosos.

Agora ela começava a se perguntar se a culpa era dela, que costumava planejar coisas distantes, ou da vida mesmo, que gostava de rir da sua cara pelos cantos.

Quem é que pode saber?..

Fantástico mundo da Emi
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28
dez
2007

Mano velho.

Desenvolvi uma teoria. Todos riem quando eu digo isso, acho que vivo desenvolvendo coisas que todos consideram inúteis. É verdade. Essa teoria também é inútil, mas condiz com o que eu tenho sentido:

O tempo não existe.

Einstein me invejaria, eu sei. Ele precisou de tantos pensamentos e eu só precisei de uns sentimentos pseudo-infindos para chegar às mesmas conclusões. Não existe tempo, porque o cérebro não respeita esse negócio de tempo – e o meu cérebro é bem politicamente correto, então ele respeitaria se existisse.

Já reparou como ele costuma sentir sensações de anos atrás e sente isso sem se preocupar com a data? Já reparou como ele não se acostuma com algo que está bem na sua cara? Dá vontade de chachoalhar essa porcaria até ele aprender a lição: “Respeite o tempo, seu ingrato!”

O tal do tempo pode até não existir, mas que anda por aí botando rédeas na vida da gente, ele anda. Essas coisas que não existem são as que mais nos machucam, pode acreditar.

Liga não, só me deu vontade de despejar palavras até que o meu tempo acabe.

Cotidianês
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17
dez
2007

Chuva de Desejos

Chuva de DesejosÉ noite, madrugada. Na surdina ela se levanta, se move paulatinamente. Na ponta dos pés alcança o trinco, abre devagar. O rangido é baixo e longo… baixo e longo… baixo, quase um sussurro. Alguém se mexe no quarto ao lado. Estanca. Ouviram? Alguns segundos de respiração presa. O silêncio retoma a escuridão.

A pouca luz – quase uma vela – ilumina o caminho: um celular. Tempos modernos; apetrechos modernos; contos não tão modernos. Ela continua. Os pés dançam, os olhos piscam e o coração nunca pára.

Algo arranha o teto. O mundo é dos ratos; dos homens, dos medos. O mundo é da gente, mas sempre é mais dos outros. O medo também é da gente, mas também sempre é mais dos outros. Ela continua.

A porta. Longe a porta está, parada, esperando. A porta sempre espera, ainda que não seja percebida, ainda que não esperemos que ela nos espere lá. A porta raramente se abre sozinha e, por isso, ela continua.

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Fantástico mundo da Emi
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11
dez
2007

Briga de palavra

Vou te contar um segredo: quanto mais a gente tem a dizer, menos a gente diz. As palavras ficam brigando umas com as outras e, em meio a tanto caos, a boca se fecha e os dedos paralisam.

As vencedoras do combate acabam sendo sempre as palavras mais bizarras e com menos sentido na situação – acho que porque as outras não dão muita importância à elas e acabam deixando-as passar. Depois que estas aí passam, o estrago já está feito. As outras continuam se matando, você continua com a vontade ululante de gritar e ainda acaba com um texto completamente insípido nas mãos, feito esse.

Cotidianês
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04
dez
2007

Deu um revertério na página de recados

Agora o Orkut permite que você também restrinja a visualização da página de recados. Ótimo, porém mal feito. A nova opção anulou a anterior que controlava quem poderia escrever na página. Se você permite que apenas seus amigos vejam os scraps, apenas eles poderão escrever.

Eu sei que o Orkut não é burro e vai resolver logo esse problema, mas eu continuo gritando pela única implementação que eu realmente quero: fechar de vez meus recados :/ Sr. Orkut, me escuta! Não quero receber recados, poxa! Até o Fotolog pensou nisso e você não?

Mudando o rumo do post, ontem foi aberto o site da minha turma da UESB, o Revertério. Nós pretendemos fazer um site opinativo onde tentaremos colocar em prática o monte de coisas que estamos aprendemos nessa vida maluca de universitário. Como dizem os espertinhos: Visitem e tirem suas próprias conclusões!

Mundo real
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