Vou contar uma história meio inacreditável. Aconteceu lá longe, na terra em que as coisas começam a tomar forma. Certa vez, numa manhã fria, uma garota descobriu uma porta dessas que aparecem no meio do nada e, com toda aquela displicência infantil, abriu-a. Pôs-se a caminhar pela estrada desconhecida.
Certo, eu sei o que você está pensando, eu também diria que o desconhecido é algo bem simples: um punhado de coisas que a gente não conhece; mas aquele não era um desconhecido comum.
Lá estava um beco longo, escuro, em que não era possÃvel ver o fim. Ela foi caminhando, devagar, não tinha pressa de chegar a qualquer lugar que fosse. Caminhar. Caminhar. Teve a impressão de que o beco ficava cada vez mais estreito. Foi de repente que surgiram as estrelas, por toda parte, o chão era a única coisa que mantinha-se fixa. O céu estava ao redor dela. E o caminho, realmente, diminuÃa. Não conseguia se controlar, ela precisava continuar caminhando, precisava da certeza de que estava fazendo seu esforço próprio. Apertou o passo. Caminhar, caminhar, caminhar! E a estrada cada vez menor. Um passo, dois passos, três passos, um fiozinho – a estrada. Pisava com o meio do pé. Quatro passos, cinco passos, seis passos. Era difÃcil. Sete passos. Caiu.
Caiu da linha do tempo, e ninguém sabe o que aconteceu depois.


























