Essa semana voltei para a universidade. É estranho, depois de tantos meses de pura vagabundagem, ter que voltar à ativa. É o fim da vida boa de acordar depois de meio-dia, não ter que me preocupar com o que estudar e poder passar horas no computador tentando encontrar algo para fazer. Essa última parte reflete o lado bom da vida pseudo-ocupada: ter o que fazer.
É ótimo ter obrigações e também é ótimo ter uma espécie de “convivência forçada” com pessoas. Uso esse termo porque, na reclusão dos últimos meses, posso garantir, a minha vida social virou uma espécie de nicho bem delimitado. Conheci pouquíssimas pessoas, mas acho que curti bem as que já conhecia. Posso dizer que foi uma fase de colocar as coisas em ordem, principalmente os pensamentos, os planos, as idéias. Sabe aquela história de “Cabeça vazia, oficina do diabo”?
Loucura é encarar a, digamos, vida real e perceber que talvez os pensamentos, os planos e as idéias não se encaixem exatamente como era esperado. Encontrar pessoas, descobrir pessoas, lutar para manter pessoas. Tudo isso tendo que acordar antes das seis da manhã, enfrentar ônibus lotado e conviver com a alternância entre o calor chato e o frio gostoso do final de Setembro. Isso que é vida! (ou não?)
Sim ou não, creio que a partir de agora vou (ter que) manter minha cabeça bem cheia, bem cheia mesmo, mas deixando sempre o espacinho vazio para que a danada da oficina continue a funcionar. É que, sabe, esse tempo todo de nadismo me fez perceber que a gente acaba esquecendo de pensar besteiras quando as coisas estão cheias demais, e é das besteiras que nascem muitas das coisas que frutificam depois.
Que venham as reclamações, as encheções de saco, os dias insuportáveis, o cansaço e que, ainda assim, o monte de diabinhos possa continuar seu trabalho! (6)


























