Ninguém que explique e ninguém que não entenda

27 de Jun de 2007 às 0:58 em Mundo real

Será que não é a nossa liberdade que nos enlouquece? Essa liberdade que nos apresenta um possível direito de escolhas, que nos condena a pensar e a refletir.

Não é o nosso livre arbítrio o que nos faz cair em lágrimas ao enfrentar escolhas difíceis? E, então, se nos suprimissem o direito à liberdade mas conservassem a felicidade, não estaríamos, de alguma forma, mais completos? Se pudéssemos escolher entre os dois conceitos, quantos de nós prefeririam a liberdade? Estar embebido em felicidade não é mais apetecedor do que apenas estar livre, conservando todos os momentos de tristeza?

Não apenas isso. Até onde a liberdade pode ser capitalista? Será que ela é mesmo compatível com uma sociedade que se regozija com superioridade econômica?

Nossa liberdade vive sob o regime de controle monetário. Somos todos livres, porém, menos livres ao passo que formos mais pobres. Não é difícil enxergar: A Constituição nos garante a liberdade de locomoção mas não dá condições para tal, temos a liberdade para adquirir os bens que quisermos mas não temos dinheiro para fazê-lo. É tão fácil pregar uma liberdade que não pode ser exercida!

É dedutível que dinheiro compra liberdade. Não apenas no sistema carcerário. É a liberdade financeira e ela está, sim, ligada ao estado de ânimo e ao direito de escolher porque, ser livre financeiramente, garante uma maior capacidade de agirmos - e de nos defendermos. Será que, ao menos neste ponto, por comprar liberdade, o dinheiro não compraria também felicidade se elas duas realmente caminhassem tão unidas?

Há ainda a liberdade de escolhas. Mas quantas vezes nos privamos de nossos direitos como seres livres por estarmos amarrados a conceitos como aceitação social? Talvez, por este lado, nossa liberdade não se limite ao que fazemos. Talvez não seja exatamente a liberdade de ação o que nos deslumbra na promessa.

A liberdade de idéias! Ah, essa sim, parece-nos a mais plena. É plena e, infelizmente, talvez utópica. Somos condicionados. Condicionamento não condiz com liberdade. E somos. Somos todos os dias, pela televisão, pelas pessoas, pelos livros, pelo que quer que seja. Damos a liberdade de nos condicionarem e nos sentirmos libertos ao fazer escolhas limitadas por eles.

A liberdade é, acredito, um estado de espírito. Talvez inerente ou talvez nunca realmente alcançado. Talvez nossa liberdade escravista seja a maior e mais bem planejada mentira dos séculos, mas garante-nos ao menos o conforto de acreditarmos que somos livres. É essa liberdade controlada que nos enche de prazer ao fugirmos um pouco de nossas próprias expectativas.

Será que, se verdadeiramente livres, seria possível sermos felizes?

15 comentários em 'Ninguém que explique e ninguém que não entenda'

  1. Mi do Carmo

    27 Jun 07 às 8:46

    Reflexão coerente nesse mundo capitalista em que a gente vive. E mais, a sociedade está passando por uma revisão de conceitos de forma mais intensa nesse século 21. A gente enxerga isso pelas discussões que estão em pautam liderada pela questão do meio-ambiente. Com isso sempre vem a esperança se um mundo melhor para se viver, e nesse embalo podemos questionar algo que é tão desejado pelo ser humano: a liberdade. Embora, como eu disse, a esperança seja renovada, aos poucos, em manifestações ainda isoladas e limitadas, acho a idéia um tanto utópica quando volto os olhos para o que precensiamos nesse lugar em que vivemos. O conceito de liberdade, como vc mesma disse, depende intrinsicamente ao “estado das coisas”, por isso acho muito dificil a sua pergunta ser respondida um dia. O ideal, para poder viver com alguma dignidade é imaginar que sim, somos livres, pelo menos em algum desses sentidos que você expôs. Ao contrário, a vida pode parecer sem sentido.

    Bjos…

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  2. [ Jarbas ]

    27 Jun 07 às 13:26

    caramba.
    me fez pensar em muitas coisas os eu texto.

    mas não há como negar que o dinheiro é uma das forças mais poderosas que faz girar o mundo.

    [talvez estamos numa especie de matrix]
    [será?]

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  3. Kat

    28 Jun 07 às 6:30

    meu Deus… post muito reflexivo, não haja dúvida

    um total outro ponto de vista do “dinheiro não compra felicidade”, muito bem explicado e coerente.

    p.s.: te linkei*

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  4. ella

    28 Jun 07 às 10:26

    liberdade só existe nas nossas cabeças mesmo ;/
    ah, e eu nem tinha parado pra pensar nessas coisas que voce disse ;]
    ó emi, voce abriu meu olhos auiowueioaw ;*

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  5. Carol

    28 Jun 07 às 11:29

    adorei o texto! eh seu?

    bjokas

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  6. *Lusinha*

    28 Jun 07 às 14:18

    Eu já encaro mais a felicidade como um estado de espírito. Ela está sempre dentro de nós, mas nem sempre estamos aptos a enxergá-la.
    Bjitos querida!

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  7. LuzDosOlhos

    28 Jun 07 às 19:37

    Acho que, hoje em dia, nos encantamos mais com a palavra liberdade do que com o seu significado. Sim, acredito que ficaríamos loucos se pensássemos na hipótese de não “ser livre/ter liberdade”. Entretanto, por causa do direito de fazer escolhas, que essa liberdade nos assegura, acabamos cometendo alguns (vários) erros…
    Ahhh, liberdade, que tal vir com um manual de instruções (se bem que, se pararmos p/ pensar, chegamos à conclusão de q qdo ganhamos a liberdade, recebemos, teoricamente, o juízo, um “medidor” da mesma; rsrs)?

    :D

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  8. Isadora

    29 Jun 07 às 13:20

    Oláá, td bom?

    Puutz, isso o que você fala faz meio sentido, é verdade que não somos totalmente livres, que as vezes nos manipulam mas eu duvido que todo mundo escolheria a felicidade à liberdade, porque, você não corcorda que a vida pode ser meio entediante sa vezes quando só coisas boas acontecem?

    =*

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  9. Rita

    29 Jun 07 às 13:34

    Pois é, e o pior que existe uma cidade chamada Conquista aqui em minas. Mas nao o nome não é redundante, pelo menos.

    Não li seu post. Estou com pressa, volto mais tarde!
    bjs

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  10. Jeh

    30 Jun 07 às 14:18

    Olha digamos que eu sempre fui muito capitalista adepta as ideias da liberdade de expressão e etc…

    Mais acabei percebendo assim como vc que tudo isso era uma utopia…

    Acho que devemos buscar a felicidade dentro de nos, pq se esperarmos por uma mudança neste planetinhaa…aiai vamos ser infelizes o resto da vida!

    post muito bem escrito, estou te linkando e adorando visitar seu cantinho!

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  11. Richi Nean

    30 Jun 07 às 18:45

    O que é a liberdade? Reprimir os próprios desejos em nome do que a razão acha melhor, como acreditavam os gregos, ou seguir os próprios desejos, uma vez que quem tenta escravizar as próprias paixões usando a razão é que seria o verdadeiro escravo, como acredita Sade? Difícil responder a essa questão,já que a ciência nem sabe definir ainda o que seria um ato voluntário, do ponto de vista neurológico.

    TEM POSTAGEM NOVA NO MENINODOLHO! ISSO É QUE É PRESENTE!
    Usem sua liberdade (mesmo sem saber direito o que ela é)
    e vão até:
    http://meninodolho.blogspot.com/
    Se gostarem, falem para os outros. Se não gostarem, falem mais ainda!

    “QUEM NÃO LÊ MENINODOLHO NÃO TEM OPINIÃO. TEM OPINIINHA”

    Conheçam também a versão em inglês:
    “IF YOU DON’T READ MENINODOLHO YOU DON’T THINK. YOU STINK”.

    Espero vocês lá!

    Richi Nean

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  12. ,

    30 Jun 07 às 19:38

    esses dias eduardo deu um texto na sala que dizia que nós encaramos a realidade como se ela fosse uma estátua, uma mulher alta, magra e bela, um premio… quando na verdade ela é um cachorro vira-lata…
    até discuti com esse mesmo alguém que deu os textos nesse dia, por que segundo ele a gente tem a liberdade que precisa, liberdade suficiente e não sabemos dar valor… quando na verdade a verdade aliás a minha verdade é que não temos nem metade da liberdade que precisamos… liberdade é ausencia de hierarquia, é liberdade de fazer “tudo”, o sistema não permite isso, eu não tenho liberdade por exemplo pra chingar alguem que é “superior” a mim…
    mas também é bem complexo isso, pq será que a gente deseja mesmo essa completa liberdade, talvez eu a deseje muito, mas as pessoas talvez não aceitariam certas “liberdades”…

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  13. Rita

    30 Jun 07 às 21:16

    Adoro capitalismo! Nao consigo ver minha vida sem ataques de consumismo! heheh.

    Minha liberdade são coisas que não se compra. Eu não tenho que pagar pra ver a lua ou o céu escurecer.

    Se pensar que antes (antes de eu nascer) as coisas eram bem piores.

    Eu sou feliz por ter liberdade pra parar na janela e pensar em matar o presidente.

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  14. tarsila

    30 Jun 07 às 22:24

    Concordo plenamente contigo.
    Na nossa sociedade capitalista, até liberdade o dinheiro compra. Liberdade de escolha… Seja escolha para ser atendido primeiro no hospital por ter plano de saúde, liberdade de escolher a roupa que vai vestir.
    Liberdade de ser atendido(a) bem em uma loja, pela simples aparência! Acho isso um absurdo.
    Mas, nem por isso, o dinheiro vai conceder felicidade certa. Há pessoas ricas que não se sentem livres.
    Como você disse, liberdade é um estado de espírito. Eu me sinto livre no meio de várias pessoas, ou abraçada com uma em especial.
    Mas, tenho de dizer, não há nada melhor que liberdade.

    Que bom que gostou do texto!
    Beijo ;***

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  15. Paty Pegorin

    12 Jul 07 às 20:08

    Interessante! O mais interessante ainda é observar os amantes da liberdade… Aqueles que dizem poder fazer tudo, que adotam o diferente, que usam e abusam do inabusável. Nunca percebem que no reino dos que querem ser ‘diferentes’ acabam se tornando iguais, mas ainda lhes resta a liberdade. Mas liberdade? Todas as atitudes são tomadas com base no princípio de ‘liberdade’ e daí a mocinha vira vilã, vira uma amarra, uma algema… Uma limitadora de conclusões. Bem no fundo, acho que ela não existe.

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