Nov
13

Procura-se minha Esperança

Começou como um conto de fadas. A brisa leve entrava pela janela, movia o cata-vento em cima da escrivaninha e acabou trazendo consigo um barulho de asas. A princípio achei que era minha imaginação, mas repetiu-se e repetiu-se… Foi assim. Ela entrou pela janela numa noite em que eu não estava muito bem. Lá estava eu, com minha fé machucada, enquanto ela pulava agitadamente pelos espaços do meu quarto. Talvez quisesse chamar minha atenção. A minha descrença e a solidão já eram tamanhas que resolvi dar um pouco do que pedia.

Sorri por alguns segundos, dizem que a esperança traz consigo soluções. Acreditei por alguns minutos até perceber o quanto ela era pequena, frágil e, de tão inquieta, deduzi que não estava bem. Lamentei comigo mesma. Era isso… Tudo estava tão errado que até a esperança que me havia sido enviada estava machucada.

Podia ter tido qualquer reação. Podia ignorá-la, espantá-la, tentar incorporá-la completamente. E tudo que consegui fazer foi ficar olhando, olhando, até começarmos a conversar. Não que ela fosse de muitas palavras, pra ser sincera, não disse nada. Mas entendi que seu silêncio era diferente de muitos outros silêncios aos quais me habituei. Ela me ouviu atentamente até que entendi o que devia ser feito. Eu tinha que ajudá-la, tinha que fazer com que ao menos aquela esperança conseguisse sobreviver. Tarefa grande demais pra mim, talvez.

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Out
29

O exército de um homem só I

Rebelde anônimo enfrenta tanques de guerra na Praça da Paz Celestial (Tiananmen). Beijing, China, 4 de Junho 1989.

“Não interessa o que bom senso diz
não interessa o que diz o rei
(se no jogo não há juiz
não há jogada fora da lei)
não interessa o que diz o ditado
não interessa o que o estado diz
nós falamos outra língua
moramos em outro país”
engenheiros do hawaii

Como falar de fotos famosas sem citar o protesto do jovem anônimo no caminho para a Cidade Proibida?

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Out
24

1o Manifesto Misturista

Ontem a gente viu o presepício
Nos convidando a fundar a Pratocimudade
Mas, derrepentemente, a gente virou Misturista.

Mistura tudo!
A gente mistura conceito com parte
E mistura a arte - que é o que é engraçado -
A gente faz crônica pra tecer comentário.
(e, no fim do mês, o saldo da energia te engole)

A gente mistura o que a gente nem tem
Mistura fé com dinheiro
pandeiro com alaúde
E a gente mistura ginga pra dizer ser brasileiro

A gente misturou idioma
e agora cobra copyright
(E há a mistura gringa pra dizer que é homem)

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Out
21

Nós a matamos

Acho vergonhosa a participação da mídia no Caso Eloá. Para mim, toda essa história lembra por demais – e não me importo que soe clichê – o filme O quarto poder (Mad City, 1997, Costa Gravas). Tanto na vida real quanto na ficção, o desfecho trágico do seqüestro ocorre, principalmente, por causa da interferência dos jornalistas e dos envolvidos externamente no caso. A presença de repórteres dialogando com o assassino em potencial, a cobertura escandalizada, o interesse popular sendo aguçado –  são todos elementos passíveis de serem relacionados com a história do filme.

O mais interessante, no entanto, é que aqueles que são em parte causadores de tal desfecho procuram culpados como quem procura ouro: deslumbrados e pretensiosos, muitos jornalistas já culpam a ação da PM sem nem ao mesmo enxergarem as imposições que causaram as suas próprias ações (ou talvez estejam enxergando muito bem e notando a importância de tentar cobrir seu próprio erro usando o possível erro dos outros). Afinal de contas, não é muito mais interessante culpar a polícia e abrir leque para mais uma série de discussões do que culpar de uma vez por todas o “apaixonado” seqüestrador que parecia não ter noção real de seus atos? Não é mais interessante criar suspense em torno dessas perguntas que só serão esclarecidas posteriormente, com as declarações de Nayara?

É impossível não perceber que a necessidade de ampliar o fato, de conduzí-lo para a grande matéria, interfere em toda a situação, inclusive no psicológico do seqüestrador. Assim como Sam Baily, Lindemberg pode ter perdido o controle de si mesmo ao perceber o contexto grandioso que tomava tudo em que havia se envolvido. A constante cobertura da mídia era acompanhada dentro do apartamento em Santo André e, pode tanto ter problematizado ainda mais uma situação que já seria grave, quanto ter criado a maior parte da gravidade dela. Além disso, a presença dos jornalistas e a possível repercussão de qualquer decisão, pode ter também influenciado a ação dos policiais. Todos sairão dessa situação com muitas perdas e bastante envolvidos judicialmente, exceto, é claro, esses “profissionais” que, ao meu ver, participaram ativamente, e, diga-se de passagem, muito irresponsavelmente, no caso.

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Out
20

Começa tudo de novo

É possível mudar. E, na cabeça da gente, parece que a hora certa é o Ano Novo. Nada melhor que um dia fixo para saber que tudo pode ser diferente. A passagem de ano é como um sopro de coragem: infla a esperança e nos encoraja a fazer e ser o que quisermos.

É que, às vezes, nós passamos todos os 365 dias tentando nos renovar. Cortamos o cabelo, compramos roupas novas, doamos roupas antigas, prometemos que vamos começar a malhar ou que vamos falar mais baixo, que vamos estudar mais ou reclamar menos. Só que ou alguém questiona a mudança ou você fica paranóico, e desiste.

O início de um ano é a carta de liberação, o aval. Você pode, agora, recomeçar, se quiser. Surgem os pedidos, as promessas e as vitórias. Sim, as vitórias, afinal de contas, ainda que a maioria daquilo fique só na teoria de 1º de Janeiro, um itemzinho que a gente consegue conquistar dá o triunfo e o ar para tentar de novo ano que vem.

Por isso, para não ficar só na promessa, prometo cumprir todas as promessas que fizer neste reveillon. E prometo, mais ainda, ter um Ano Novo sempre que eu precisar, só pra mim.

Tudo de Blog. Pauta 1061: Promessa de ano novo cola?

Out
19

Pela janela do ônibus

Vitória da Conquista - Ônibus indo para o Conquista Sul

Quem pega um Vila Serrana para ir para o Shopping constantemente acaba enjoado de tanta volta sem lógica que o ônibus dá, mas, de quebra, pode topar com uns belos espetáculos de luzes e cores pelo caminho :)

Out
16

Galeria de fotos

Por acaso, há alguns dias coloquei a galeria de fotos aqui e nem avisei. Quem quiser dar uma olhada em algumas das fotos que já coloquei por lá é só entrar… Só tem self-portrait por enquanto, mas em breve colocarei mais outras :D

Sou do princípio ao fim A hora da estrela a la Brigitte Bardot

Out
15

Pobreza - Blog Action Day 2008

Pobreza, meus amigos, é o contrário de liberdade. Isso principalmente porque aposto que Cecília diria sobre este mal: “Há milhões que explicam e ninguém que entenda“.

Acho que o maior problema da pobreza é, exatamente, que ela não é de todo um mal. É mal para quem vive seus infortúnios, sua realidade, e é bem para quem se nutre dela, quem suga a felicidade dos pobres para alcançar e manter sua própria riqueza.

A pobreza é como a fome que eu citei no post anterior. Assola nossas consciências, nossas noites e nos faz acreditar que é melhor ignorarmos, esquecermos, fazermos de conta que não existe. É uma das coisas que, quando consegue lembrar-nos de sua existência, faz com que nos perguntemos como pode ainda existir. A grande diferença é que, na resposta, a pobreza parece, em nossa concepção capitalista de mundo, ter que existir. A fome não.

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Out
10

Uma dose de realidade

Como é que com tanto desenvolvimento tecnológico e com tanta percepção de mundo a gente ainda pode conviver em paz com a idéia de que tem gente sem nada para comer? Que mundo é esse que leva o homem à Lua e não leva comida na casa ao lado?

Ser feliz às vezes faz a gente se sentir culpado.

Out
05

Eleições

Até mais, e obrigado pelos peixes- Ele vem de uma democracia muito antiga, sabe…
- Você está querendo dizer que ele vem de um mundo de lagartos?
- Não - respondeu Ford que, àquelas alturas, já estava um pouco mais racional e coerente do que antes, tendo finalmente sido forçado a tomar uma xícara de café -, nada tão trivial. Nada assim tipo isso tão compreensível. No mundo dele, as pessoas são pessoas. Os líderes é que são lagartos. As pessoas odeiam os lagartos e os lagartos governam as pessoas.
- Ué - comentou Arthur -, achei que você tinha dito que era uma democracia.
- Eu disse - afirmou Ford. - E é.
- Então - quis saber Arthur, torcendo para não soar ridiculamente estúpido -, por que as pessoas não se livram dos lagartos?
- Isso sinceramente nunca passou pela cabeça delas - disse Ford. - Como elas têm direito de voto, acabam supondo que o governo que elegeram é mais ou menos parecido com o governo que querem.
- Quer dizer que eles realmente votam nos lagartos?
- Ah, sim - disse Ford, dando de ombros -, é claro.
- Mas - perguntou Arthur, sem medo de ser feliz - por quê?
- Porque, se deixam de votar em um lagarto - explicou Ford -, o lagarto errado pode assumir o poder. Você tem gim?

Por Douglas Addams, em “Até mais, e obrigado pelos peixes“.